João Spadari Adami, nasceu em Vila de Santa Tereza de Caxias, atual Caxias do Sul, no dia 11 de janeiro de 1897. Foi batizado em Nova Trento, hoje Flores da Cunha, no dia 07 de fevereiro de 1897. Filho de Francisco Adami e Silene Spadari Adami, naturais da Itália, respectivamente, de Castel Pietro, Tirol, e ela de Cremona.
João Spadari Adami, foi o primogênito da família e desde cedo apresentou uma personalidade forte. Não aceitava repreensões, à aula não queria ir de forma alguma, frequentando os bancos escolares por pouco tempo. Como não queria estudar, seus pais colocaram-no a aprender uma atividade rendosa e, assim, aos 9 anos ingressou como aprendiz no ofício de alfaiate e mais tarde no de barbeiro também. Aos 14 anos transferiu-se para Ana Rech como sócio de uma alfaiataria e barbearia. Em 1913 mudou-se para Antônio Prado para ajudar um primo por alguns dias, ficando lá por vários anos. Foi convocado pelo Exército Nacional servindo em Cruz Alta. Em 1923, de volta a Antônio Prado, começou a ler com mais assiduidade, passou também a escrever versos, originando-se nessa época o interesse pela história da imigração e consequentemente de sua terra natal.
Casou-se em 1921, com Etelvina de Castro Adami. Tiveram cinco filhos: Therezine Belkys, Victor Francisco, Serenita Maria, Miriam e Maria de Lourdes. Destes, faleceram 3, restando suas filhas Therezine Belkys e Serenita Maria.
A primogênita Therezine Belkys, casou com Joaquim Mano, tendo quatro filhos, Corali Terezinha, Wilson José, Edson João e Magda Regina. Serernita Maria, casou com Dionysio Guido Giazzon e tiveram uma filha, Eloisa Giazzon.
No ano de 1929, João Spadari Adami retornou a Caxias do Sul e daí em diante, dedicou-se, às pesquisas de fatos históricos que envolviam sua terra e sua gente, quer nos arquivos públicos, tanto do município, como do Estado, quer colhendo depoimentos de descendentes de imigrantes, para que pudesse completar a história do surgimento de Caxias do Sul. Em 10 de abril de 1950, o então Prefeito Municipal, Luciano Corsetti, através de Ato Oficial, solicitou a João Spadari Adami que se encarregasse de "garimpar" e pesquisar nos arquivos municipais, documentos relativos à colonização italiana. Esse serviço era feito à noite, com esmero e dedicação, gratuitamente, prolongando-se por meses, indo até altas horas da madrugada, tal o interesse que a história nele despertou.
Assim, o menino rebelde que havia cursado apenas até o terceiro ano primário, tornava-se, o cronista e incentivador da história de sua terra. Adami recebeu também o incentivo financeiro do empresário Julio João Eberle para publicar seus primeiros trabalhos.
Nos seus "escritos", como ele modestamente chama suas obras. Adami revela um grande respeito à verdade, obedecendo critérios rígidos, sem concessões para agradar ou desagradar a quem quer fosse. Escreveu e reescreveu as seguintes obras:: "Caxias do Sul" (1957); "História de Caxias do Sul", 1864-1962; "História de Caxias do Sul" (1966); "História de Caxias do Sul" 1864-1970 e "Festas da Uva" - 1881-1965.
Elaborou também outros trabalhos tais como : "Caxias e o elemento luso-brasileiro" (em que destaca a contribuição dos luso-brasileiros para o desenvolvimento de Caxias do Sul); "Caxias - a Pérola das Colônias"; "Meus tropeços com o italianismo"; "Escrevendo para mim"; "História da Música Caxiense" (Compôs a valsa "Bosques Floridos", dedicada a seus netos e a marcha "Viva a Festa da Uva", em 1950); "O início do futebol em Caxias do Sul" (Foi um dos fundadores do clube de futebol Esmeralda que se ligou posteriormente ao E. C. Juventude); "Dicionário dos Intelectuais Caxienses"; "Caxias do Sul e seus Monumentos"; "Antologia dos Intelectuais Caxienses".
Mas não parou aí a sua incansável atividade. Deixou prontos para serem publicados vários outros volumes: "História de Caxias do Sul - Exposições e Festas da Uva de 1881 a 1972" (que pediu para ser editado somente depois dos festejos do centenário da cidade); "História de Caxias do Sul - Sociais - 5º Tomo" e "História de Caxias do Sul - 700 documentos" para serem publicados quando do primeiro centenário da colonização e "História de Caxias do Sul - Início de seu magistério - 3º Tomo - 1875-1971" revisto, atualizado e publicado por sua irmã, Maria Adami Tcacenco, na década de l980.
Durante anos Adami teve a preocupação de divulgar o resultado de suas pesquisas não só através de seus “escritos”, mas também através do Centro Informativo da História Caxiense.
A Academia Caxiense de Letras foi fundada no dia 1º de junho do ano de 1962, sob o lema “Cultura, Facho Inextinguível”.É composta por quarenta Membros Acadêmicos Titulares juramentados em cerimônia pública, que constituem seu Quadro Ordinário e de um número indeterminado de membros nas seguintes categorias: a) correspondentes; b) honorários; c) históricos.A posse de uma cadeira acadêmica é de caráter vitalício, salvo renuncia ou exclusão do acadêmico que se dará na forma da legislação civil vigente à época do fato. São considerados Membros Acadêmicos Fundadores as trinta e nove pessoas que assinaram a ata de fundação estando entre eles João Spadari Adami.
Gratificado pela certeza de haver prestado um grande serviço à sua terra e cercado pelo carinho de seus familiares e amigos, João S. Adami, faleceu em 4 de dezembro de 1972, com 75 anos de idade, dos quais 49 dedicados à história de Caxias do Sul.
Todos os originais de suas obras bem como os documentos e as fotografias que recolheu nos anos de atividade como pesquisador, acham-se no Arquivo Histórico Municipal.
Segundo seus familiares Adami desejava que todos os seus originais e demais documentos fossem doados ao arquivo após sua morte. A sua vontade foi realizada pela viúva, D. Etelvina, que, em l975, entregou para o Museu Municipal todo o acervo. A documentação de Adami constituiu-se no núcleo inicial de documentos que deram origem ao Arquivo Histórico. Seus livros, artigos e crônicas, passaram a constituir-se em fontes de consulta obrigatória em nossa historiografia.
Em 11 de setembro de l997, pela Lei Ordinária nº 4.704, o Arquivo Histórico passou a denominar-se Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami em homenagem a este cidadão que, em meio a dificuldades econômicas encontrou tempo para dedicar-se à pesquisa e muitas vezes salvar documentos históricos de suma importância para a cidade e região.
Citando Virgílio Zambenedetti: “João Spadari Adami, na verdadeira acepção, é um historiador culto e diferente. Pesquisador de reminiscência e historiógrafo por excelência, revê o passado e o vasculha avidamente para fazer emergir os fatos históricos do nosso município.” «
Maria Adami Tcacenco nasceu em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil), no dia 31 de dezembro de 1916. Filha dos imigrantes italianos Francesco Adami e Silene Spadari, provenientes, respectivamente, do Tirol e da Lombardia. A entrevistada era a mais jovem de dez irmãos, sendo que o primogênito era o historiador João Spadari Adami (1897-1972). Casou-se com o professor Basílio Tcacenco, com quem teve seis filhos. Escrevia literatura infantil, com histórias publicadas no jornal Correio do Povo. Foi responsável pela organização, pela complementação e pelas notas da edição póstuma do livro “História de Caxias do Sul – Educação”, de João Spadari Adami. Maria Adami Tcacenco faleceu em 2003.
Serenita Adami Giazzon nasceu no dia 17 de junho de 1926 em Antônio Prado, Rio Grande do Sul, Brasil. Filha de João Spadari Adami e de Etelvina de Castro Adami. O pai foi historiador autodidata com grande relevância para Caxias do Sul (RS). O Arquivo Histórico Municipal leva o nome de João Spadari Adami em homenagem a sua dedicação à pesquisa e ao resgate de documentos que contribuem para desvelar a história local. A entrevistada estudou no Colégio Elementar José Bonifácio, atual Escola Estadual de Primeiro Grau Presidente Vargas, e na Escola São Carlos. Foi funcionária pública da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul entre 1949 e 1979. Casou-se com Dionysio Giazzon em 1952. Serenita e o marido participaram da fundação do Banco de Olhos de Caxias do Sul, promovida pelo Lions Clube São Pelegrino, em 24 de julho de 1979. O casal atuou na diretoria e nas campanhas promovidas pela entidade.
Doviglio Gianella nasceu no dia 27 de dezembro de 1916, em Galópolis, Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil), filho de Matteo Carlo Gianella, oriundo do Piemonte, na Itália, e de Ermelinda Viero, nascida em São Pedro da 3ª légua, em Galópolis. O pai foi o fundador do Lanifício Matteo Gianella Ltda, em 1915, onde Doviglio Gianella iniciou suas atividades profissionais. O entrevistado estudou no Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Caxias do Sul, e no Colégio Metodista Americano, em Porto Alegre. Foi diretor da Fiação Ermelinda Gianella a partir de 1954. Atuou como vereador pelo antigo Partido Social Democrático (PSD), entre 1948 e 1951. Integrou a Diretoria do Serviço Social da Indústria (SESI) e o Conselho Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Em 1960, foi eleito presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), permanecendo no cargo por dez anos. Foi fundador do Grêmio Esportivo Gianella, do Aeroclube de Caxias do Sul e do Centro Cultural Italo Brasileiro. Presidiu o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem (FITEMASUL), entre 1966 e 1987. Durante esse mesmo período, foi diretor da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) e foi responsável pela vinda da Escola do Senai José Gazola à cidade. Em 1950, foi vice-presidente da Festa da Uva e, por mais de 50 anos, atuou na Comissão dos Desfiles de carros alegóricos. Presidiu também a Comissão Pró-Fundação do Colégio Estadual Santa Catarina, objetivo concretizado com a assinatura do decreto de criação pelo então Governador Walter Peracchi de Barcellos. Participou, durante mais de 60 anos, de inúmeros corais da cidade. Em 1999, recebeu o "Mérito Comunitário" do Rotary Clube de Caxias do Sul, bem como o "Mérito Industrial do Rio Grande do Sul", conferido pela FIERGS, em 1989 e 2009. Faleceu no dia 18 de março de 2012, aos 95 anos.
Fonte: Dados presentes em entrevistas e no site da Câmara de Caxias do Sul.
Guilhermina Andreazza Postali nasceu em 30 de julho de 1915 em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). Casou-se em 1938 com Aparício Postali. A entrevistada trabalhava como modista. Era participante assídua das Festas da Uva desde os primeiros eventos. Faleceu em 2004.
Lorena Maria Tomasi Chiaradia nasceu em 31 de outubro de 1934. Atuou na criação e na coordenação dos carros alegóricos da Festa da Uva, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). No final da década de 1960, iniciou o trabalho na organização dos corsos alegóricos e na confecção dos carros, convidada por Isaac Pelegrino Menegotto. Em 1984, assumiu a coordenação dessas atividades.
Margareth Trevisan nasceu em 24 de junho de 1951, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil), filha de Otávio Trevisan e de Maria Rosa Pontalti Trevisan. Foi rainha da Festa da Uva em 1972 representando o clube Recreio da Juventude.
Mário David Vanin nasceu em 07 de dezembro de 1941, na Linha Zambicari de São Marcos, então distrito de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). Filho dos agricultores Antônio Vanin Filho e Érica Aumont Vanin, tinha oito irmãos. Estudou durante seis anos no Seminário Nossa Senhora Aparecida. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1967, e especializou-se em Comércio Exterior, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Atuou como professor e como secretário da Faculdade de Direito da UCS, na década de 1960. Foi presidente da Festa da Uva e da Comissão Comunitária do evento na década de 1980. Iniciou a carreira política como chefe de Gabinete da Secretaria da Justiça do Estado. Foi filiado ao Partido Progressista (PP), sendo eleito vereador em Caxias do Sul de 1969 a 1972. Ocupou a vice presidência da Câmara em 1971. Além disso, foi Secretário Municipal de Planejamento entre 1988 e 1989 e diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE) em 1974. Após ser vice-prefeito entre 1973 e 1974, Vanin assumiu a prefeitura de Caxias do Sul de 1974 a 1975. Foi eleito vice-prefeito em 1989 e exerceu um segundo mandato como prefeito de 1993 a 1996. Era casado com Vera Menegotto, com quem teve os filhos Simone, Raquel e Thiago. Faleceu em Porto Alegre (RS), dia 14 de agosto de 2011.
Zila Turra Pieruccini nasceu em 02 de junho de 1936, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil), filha de João Turra e de Eugênia Vidor. Em meados da década de 1950, formou-se em História Natural pela Pontifícia Universidade Católica (PUC). A entrevistada casou-se com Ângelo José Pieruccini. Foi rainha do Recreio da Juventude em 1957 e da Festa da Uva em 1958.