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Registro de autoridade
Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda.
BR.RS.AHMJSA.AP.VRG · Entidade coletiva · 1929-1997

A década de 1920 foi caracterizada por grande desunião no seio do setor vitivinícola gaúcho, com brigas intermináveis e desentendimentos crônicos entre as principais lideranças, além da concorrência desleal e suicida entre as vinícolas. Altas e descontroladas produções associadas às práticas de diminuição dos preços iniciaram a grande crise. As autoridades gaúchas, preocupadas, promoveram reuniões, discussões e induziram 49 vinícolas a se unirem em torno de uma instituição comum, o Syndicato Viti-Vinícola do Rio Grande do Sul, consolidado no final de 1928. Era a tentativa de unir a vitivinicultura gaúcha. O governo estadual, através de decreto, criou o primeiro instrumento legal para fortalecer o Syndicato e atrair o setor em torno dele, impondo a obrigatoriedade de exames bromatológicos dos vinhos a serem comercializados, expediente pago e somente realizado através desta instituição. Esse dispositivo legal lhe deu força de órgão estatal e passou a privilegiar com custo zero seus associados aderentes, em detrimento daqueles muitos que optaram por ficar de fora e que teriam que pagar a cada exame solicitado. Com isso, a desunião e os embates cresceram ainda mais dentro do setor. Devido à tal situação e artimanhas oficiais, além do medo de serem engolidos pela séria crise que se espalhava pela Serra Gaúcha, alguns empreendedores setoriais e líderes políticos incumbiram o contador José Moraes Vellinho de buscar melhorias e constituir uma sociedade comercial a partir da união dos empresários. Após muitas negociações, foi formada a Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda, em 5 de junho de 1929, dando início às suas atividades com o intuito de ajustar interesses historicamente antagônicos, construir novos padrões de qualidade para o vinho e ter o encargo de receber, homogeneizar e comercializar a produção de seus fundadores e associados, garantindo a aglutinação dos negociantes de vinho da região, o que permitiria a imposição dos interesses do Governo Estadual para “sanar o setor”. A Sociedade Vinícola Rio Grandense foi um braço importante na atuação comercial do Syndicato, que o eximia de atuar diretamente nas desgastantes brigas comerciais. Não seria tarefa simples, já que envolvia um trabalho insano e que exigiria grande habilidade de negociação para alcançar o milagre de aproximar posições historicamente antagônicas, ajustar interesses conflitantes e curar feridas profundas de rixas anteriores. Apesar disso, sua atuação não pacificou o setor, pois desentendimentos e embates tornaram-se acirrados, o que criou dois blocos distintos na vitivinicultura gaúcha: Sociedade Vinícola de um lado, vinícolas independentes do outro que, aos poucos, foram se associando em grupos, dando origem às Cooperativas Vinícolas. A Sociedade Vinícola Rio Grandense continuava a ser o braço operacional do governo gaúcho na regulamentação do mercado em 1930, sendo iniciada a fase de consolidação da empresa, que passou a comprar uvas dos produtores e coordenar a vinificação nas cantinas dos associados, assim dando dimensão maior ao negócio e um novo ritmo de atuação no setor.

Em 1932, a Sociedade Vinícola Rio Grandense, seguindo a linha de inovações, efetuou uma importação de cerca de 130 variedades europeias (italianas e francesas) e iniciou a formação dos famosos vinhedos conhecidos por Granja União, no município de Flores da Cunha, com o objetivo de dar os primeiros passos na direção de produzir vinhos varietais finos (uvas viníferas), tudo sob a inspeção de seu diretor técnico, o enólogo Guido D’Andrea. Em 1935, a Sociedade engarrafou e comercializou a primeira produção de vinhos varietais finos, sob o rótulo Granja União, que fizeram sucesso em todo País. A área de vinhedos de castas finas viníferas da Granja União totalizava 150 hectares. As garrafas dos vinhos Granja União, Barbera, Cabernet, etc, inauguraram um período de reinado desses varietais no mercado brasileiro que viria a perdurar nas décadas seguintes. Para dar suporte a suas atividades, a Sociedade Vinícola expandiu sua estrutura de comercialização em nível nacional, abrindo filiais em Salvador (1936), Farroupilha, (1939), Rio de Janeiro (1941), Rio Grande (1942) e São Paulo (1945), completando com Curitiba e Recife, e a abertura de um entreposto em Belo Horizonte, todos na década de 1950. Os grandes volumes de vinho de mesa eram transportados a granel, saindo das adegas da Sociedade Vinícola em caminhões-pipa com destino a Porto Alegre, visando completar a capacidade dos tanques de navios fretados que abasteceriam outros estados, nos entrepostos da Sociedade. A empresa tinha, ainda, a sua própria tanoaria.

Na década de 1940, a Sociedade Vinícola Rio Grandense viu o mercado de vinhos finos diminuir, em virtude da Segunda Guerra Mundial. Como detinha boa reserva de capital, decidiu investir em outro mercado: o de papel e celulose. Para um estudo de viabilização, os diretores da Sociedade Vínicola, Galeazzo Paganelli e José Moraes Vellinho, resolveram enviar um emissário em busca de pinheiros nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Essa tarefa foi atribuída a Alfredo Fedrizzi, homem de confiança que durante onze anos provara sua dedicação e sua habilidade na empresa. A construção do primeiro prédio da Celulose Irani iniciou em 1942, ano em que a olaria já estava em funcionamento, que, além dos tijolos, fornecia telhas para a construção da fábrica. Em 1942, foram instalados os primeiros equipamentos industriais: um britador com acionamento hidráulico, as primeiras caldeiras “J. Martins” e a primeira máquina a vapor para geração de energia.

Em Caí, operava uma fábrica de garrafas com alta capacidade de produção anual, empregadas nas suas diversas linhas de engarrafamento. Considerando os grandes volumes transportados a granel, embarrilado e garrafas encaixotadas, ela ofereceu rápido retorno de capital: a multinacional italiana Martini & Rossi, instalou duas unidades produtoras de vermute no Brasil, em 1951, uma em São Paulo e outra em Recife, e firmou um acordo de compra de grandes volumes de vinho base com a Sociedade Vinícola; acordo similar foi assinado com a Cinzano. Com esses acordos, houve grande incremento na demanda que passou a exigir grandes quantidades de embarques de vinho base da variedade americana Herbemont, esbarrando com crescentes dificuldades com a navegação de cabotagem, cuja frota de navios-tanques era insuficiente, impactando nos prazos de comercialização. Considerando os grandes volumes transportados e as possibilidades de transformar o mesmo nas modalidades a granel, embarrilado e encaixotado, a empresa adquiriu um navio para carga seca para transporte de vinhos em barris e em garrafas encaixotadas: batizado de “Vinho Castelo” (homônimo ao carro-chefe dos produtos da empresa: o vinho comum de nome “Vinho Castelo”, foi líder absoluto em vendas dentre todos produzidos durante o período de 1946 e 1955). O famoso navio “Vinho Castelo” passou a transportar grandes quantidades de barris e caixas de vinho, proporcionando o total domínio do transporte do vinho para os grandes centros consumidores. Foi o início da fase sob a denominação social de Indústria, Comércio e Navegação – Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda., trabalhando no setor vitícola, de características agrícolas, com contratos de compra e venda de uva com pequenos e grandes agricultores, pelos quais a indústria se obrigava a fornecer insumos, equipamentos e assistência técnica, e os preços variavam de acordo com a safra, com a qualidade e com os fatores mercadológicos mais voláteis.

Apesar da necessidade de grande número de barris, os custos operacionais caíram, criando maior competitividade para os vinhos da Sociedade Vinícola. O navio “Vinho Castelo” era utilizado com grande versatilidade, ora transportando vinho em pipas para Santos, Rio de Janeiro e Nordeste, ora levando madeira para a Argentina, de onde voltava carregado de trigo. Em 1957, numa das viagens do navio Vinho Castelo para a Argentina, ele se chocou contra rochedos e foi a pique na costa uruguaia, causando grande prejuízo e perda total. A partir deste acidente, a Sociedade Vinícola se associou às cooperativas Garibaldi, Aurora e Forqueta, fundando a empresa de navegação Navinsul, com um navio-tanque próprio para abastecer o porto de Santos. Os demais destinos ficaram com a navegação de cabotagem. As três cooperativas unidas em uma federação montaram também uma central de engarrafamento em Santos, comercializando o rótulo comum Centauro. Neste período, acontecia a chegada das primeiras empresas multinacionais interessadas na exploração do setor vitivinícola e do mercado no Brasil. A Bernard Tailland Importadora S/A, associada a vinícolas na Argélia e na França, resolveu lançar vinho de sua marca no mercado brasileiro e, depois de muitas consultas (a Sociedade não aceitou o esquema proposto), fechou contrato com a Cooperativa Vinícola Aurora que, a partir de 1962, passou a produzir o vinho rotulado Bernard Tailland, com grande sucesso comercial. Este fato desencadeou outras iniciativas de encomendar vinhos finos às vinícolas nacionais e proceder à comercialização através de redes próprias. O rótulo Bernard Tailland marcou o início do processo de afirmação e aceitação de vinhos finos brasileiros no mercado nacional, e foi uma oportunidade perdida pela Sociedade Vinícola Rio Grandense, por uma decisão equivocada. Talvez esse tenha sido um dos mais graves erros de avaliação, contrariando, inclusive, a postura sempre vanguardista da Sociedade, que começou a sofrer perda de ritmo e da saúde empresarial, sofrendo um divórcio de sincronismo com o movimento de modernização do setor vitivinícola brasileiro.

Este novo nicho de negócios era diferente daqueles volumosos fornecimentos de vinhos base baratos para alimentar a produção de vermute e quinados da Martini & Rossi ou da Cinzano. Agora estavam em jogo vinhos finos, varietais de uvas viníferas ou europeias, com maior valor agregado e de colocação crescente num mercado recém-despertado para a qualidade possível do vinho brasileiro. Ao longo de 1964, o desenvolvimento acelerado da rede rodoviária centro-sul produziu reflexos importantes na política de transporte de cargas para o Nordeste, especialmente pela maior flexibilidade do transporte por caminhões, economicamente mais atrativo, de gerenciamento muito mais simples e de custos bem mais baixos, colocando em cheque a solução Navinsul, com toda sua complexidade operacional e custos altos de manutenção de um navio. Foi, então, que os sócios resolveram desativar o esquema de cabotagem e vender o navio. Em 30 de setembro de 1964, a Indústria, Comércio e Navegação – Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda. teve alterada sua razão social de Ltda. para S.A., assumindo a nova e definitiva denominação de Companhia Vinícola Rio Grandense. Seu funcionamento foi encerrado em 1997.

Em 1999, os irmãos Deunir e Itacir Argenta, adquiriram o Vinhedo Granja União, em Flores da Cunha – RS, e desenvolveram um moderno projeto para produção de uvas e vinhos que, em homenagem ao patriarca, foi denominado “Luiz Argenta Vinhos Finos”. Volmar Salvador e PauloTonet adquiriram o vinhedo San Felício e fundaram a Vinícola Terrasul, na cidade de Pinheiro Machado – RS, entre as regiões da Campanha e da Serra do Sudeste. Depois, adquiriram um prédio, também da Companhia Vinícola Rio Grandense, em Flores da Cunha, e ali instalaram a cantina, na qual trabalham a produção de vinhos finos e de vinhos de mesa.

Família Ungaretti
BR.RS.AHMJSA.AP.UNG · Família · 08/12/1862 - atual

Annuccio Ungaretti, filho de Geremias e Clelia Ungaretti, nasceu em Valdottavo, Província de Lucca – Itália, a 08/12/1861; migrou para o Brasil em 03/11/1893, a convite de seu irmão Américo Ungaretti que já vivia em solo brasileiro à época e com quem posteriormente associou-se no comércio de fazendas, com lojas em Santo Amaro – SP, São Jerônimo – RS e Porto Alegre – RS. Em viagem para a zona colonial italiana no Rio Grande do Sul, conheceu Eulália Lunardi (07/08/1880 a 03/06/1912), filha de Romano Lunardi e Antonia D’Ambroz Lunardi, com quem casou-se em 29/08/1896 e teve cinco filhos: Júlio, Dario Romano (21/12/1900 a 27/02/1985), Clélia Antonieta (24/03/1903), Iris (09/01/1905 a 02/06/1988) e Nady Hilda (11/12/1907). Após o matrimônio, passou a residir na então Villa de Santa Tereza de Caxias – RS, onde foi um dos primeiros exportadores de vinho e videiras finas da região.

Em chácara de sua propriedade, na área próxima ao então futuro Parque da Imprensa, Annuccio dedicou-se ao cultivo de oliveiras: contava com 110 árvores, plantadas a partir de 1903, e das quais colhia cerca de 4.000 kg de azeitonas. Esta atividade merece grande destaque, já que recebera diversos prêmios em exposições, como a medalha de ouro na 2ª Exposição Agro-Pecuária, realizada na capital gaúcha em 1912, na categoria “azeitonas em conserva”, a medalha de prata na Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada no Rio de Janeiro – RJ em 1922, na categoria “Azeitonas – classes 35 e 36”, a medalha de ouro na Exposição Municipal de Caxias – RS, realizada em 1925, na categoria “Conservas de Azeitonas”.

Após o falecimento de Eulália, casou-se novamente com Maddalena Pilla Celi (07/12/1878 a 19/06/1938), viúva de Luciano Celi, industrial do ramo alimentício de Porto Alegre – RS, com quem teve três filhos (Nilo Antônio, nascido em 14/12/1915; Ugo Silvio René, nascido em 15/08/1917; Gema Maria Eulália, nascida em 01/09/1921) e dois enteados (José Ettore Pilla Celi, pintor e fotógrafo conhecido como “Heitor Celi”, e Stella Pilla Celi, nascida em 17/10/1909).

Foi proprietário do segundo quiosque comercial construído na praça Dante Alighieri, onde mantinha o “Bazar Familiar”, cujo contrato com a Intendência Municipal foi assinado em 17/11/1898 e rescindido pela mesma por meio do Ato nº 08, de 12/04/1909, publicado na edição de 17/04/1909 do jornal O Brazil. Ali, foram comercializadas miudezas, fazendas, brinquedos, entre outros. Na década de 1920, já figurava como agente da Loteria Estadual na cidade, nomeação que perdurou até 1942. Também foi proprietário da “Loja Americana”, bazar localizado à então rua Júlio de Castilhos, 79.

A residência de Annuccio Ungaretti, localizada à atual avenida Júlio de Castilhos, onde está construído o Edifício Martinato, foi referência para a fundação de duas instituições importantes para os caxienses: do Sport Club Ideal, primeiro clube de futebol caxiense, fundado em 1910, com a sede instalada aos fundos da residência e que posteriormente passou por uma fusão com o Sport Club Juventude, e da primeira policlínica caxiense, também fundada em 1910, composta de consultórios, sala de operação e alguns quartos hospitalares para os doentes atendidos pelos médicos Cesar Merlo, cirurgião, Vicente Bornancini, oculista, e Henrique Fracasso, então futuros proprietários do Hospital Nossa Senhora de Pompéia.

No âmbito social, participou da Comissão Provisória em prol da fundação da Associação dos Comerciantes de Caxias do Sul, à época Villa de Santa Teresa de Caxias, junto a Ítalo Bersani, Luiz Baldessarini, Mário Marsiaj e Luiz Pieruccini, cuja assembleia ocorreu em 08/07/1901, nos salões da Sociedade Operária Príncipe de Nápoles, e que atualmente corresponde à CIC – Câmara de Indústria e Comércio. Annuccio foi eleito para integrar a Comissão Fiscal da associação.

Em 1913, quando o Colégio Nossa Senhora do Carmo estava instalado em um barracão aos fundos da Igreja Matriz de Caxias – RS, foi criado o Curso Noturno, elementar e comercial, sob a orientação do clero e do Clube Literário Recreio Dante, fundado em 10 de Abril pelo vigário Dom João Meneguzzi. Tinha por finalidade promover a educação, instrução e lazer “com moderação” dos alunos e sua primeira diretoria foi formada por José Panceri, Annuccio Ungaretti e Abramo Eberle; funcionou por quase 20 anos.

Fez parte do Conselho Fiscal da Cooperativa Agrícola de Caxias junto a Antonio Giuriolo, Miguel Muratore, Abramo Eberle e Mansueto Pezzi, e foi sócio-fundador da Sociedade Operária Príncipe de Nápoles, além de atuar como Delegado da Real Agência Consular Italiana na cidade. Em 28/09/1930, Annuccio participou das festividades de inauguração do novo edifício do Colégio Murialdo de Ana Rech, convidado como Paraninfo. Mário Gardelin, enquanto Vereador, indicou seu nome para denominação de rua (Indicação 398/75), localizada no bairro Sagrada Família, em Caxias do Sul – RS. Faleceu em 22/01/1954, com 93 anos, vítima de marasma senil.

Júlio Lunardi Ungaretti, primogênito de Annuccio e Eulália Lunardi Ungaretti, nasceu na Villa de Santa Teresa de Caxias – RS, em 28/05/1897. Casou-se com Lyra Bernardi (de 13/06/1897 a 17/12/1977; filha de Paulino e Mary R. Bernardi), a 18/02/1922, em Porto Alegre – RS, com quem teve quatro filhos: dois meninos (Aldo Luiz e Marco Antônio), que faleceram ainda crianças, Neda (15/01/1923) e Marisa (16/06/1931 a 24/06/2002). Neda casou-se com Euclides Triches, a 15/12/1951, com quem teve um filho, André; Marisa casou-se com Itacir Romeu Rossi, um dos proprietários do Cine Real, a 03/02/1951, com quem teve cinco filhos: Itacir, Valter, Júlio, Tiago e Diogo.

Foi empresário industrial no ramo de tecelagem e confecção: a Tecelagem Marisa Ltda., criada em 1929, tinha sua produção destinada a tecidos e artefatos de seda e rayon. Em 1951, devido ao crescimento da empresa, abriu capital, transformando –se em S/A: passou a fabricar lingerie, jersey de acetato, nylon e poliéster, possuindo tinturaria própria. Associado à Celso Tadei, Júlio também era proprietário da Bioquímica Nacional Ltda., do ramo de tecelagem e tinturaria.

Foi presidente da Associação Comercial de Caxias do Sul – RS, entre 1947 e 1949, e Presidente da Comissão Organizadora da Festa da Uva, nas edições de 1950 e 1954. Foi de sua iniciativa a contratação do pintor italiano Aldo Locatelli para a execução do painel retratando o início da colonização italiana que encontra-se no atual Centro Administrativo Municipal, antigo pavilhão de exposições da Festa da Uva. Fez parte do Rotary Clube de Caxias do Sul e foi um dos fundadores do Centro Ítalo-Brasileiro. Seu nome foi indicado para denominação de avenida, localizada no bairro Desvio Rizzo, em Caxias do Sul – RS. Faleceu em 31/12/1990.

José Ettore Pilla Celi, nasceu no dia 01/02/1907, em Porto Alegre – RS, filho de Maddalena Pilla Celi e Luciano Celi. Desde cedo demonstrou gosto pelo desenho, sendo incentivado pelos familiares e, aos poucos, foi se aperfeiçoando. Quando passou a assinar suas obras, optou pelo nome Heitor Celi, seu segundo nome traduzido para o português. Seu pai, um industrial do ramo alimentício, faleceu jovem, vítima de um incêndio que atingira uma de suas fábricas. Para distraírem-se, Heitor e sua irmã Stella (a outra irmã, Hilda, faleceu repentinamente), passaram a visitar parentes em Caxias – RS, onde sua mãe conheceu o também viúvo Annuccio Ungaretti, pai de cinco filhos. Os viúvos casaram-se e uniram suas famílias.

Nos anos 1930, Heitor decidiu morar no Rio de Janeiro – RJ, onde frequentou o curso de Belas Artes e paralelamente estudou fotografia. Uniu a fotografia à pintura (fotopintura) e fazia retratos a óleo. Na década de 1940, retornou a Porto Alegre, abrindo um atelier denominado "Studio de Arte e Fotografia", na Rua da Praia. Nesta fase, o contato com sua família fica mais assíduo, o que o fez transitar nas sociedades porto-alegrense e caxiense: fez retratos e fotopinturas de Alda Muratore Eberle com os filhos, do casal Salatino, Bispo Dom José Baréa e dos empresários Eduardo Mosele e Aristides Germani. Também pintou retratos para a Metalúrgica Abramo Eberle Ltda. Faleceu em Porto Alegre, no dia 21/05/1959, vítima de um derrame cerebral.

Odila Zatti
BR.RS.AHMJSA.AP.OZT · Pessoa · 21/11/1914 a 13/09/1990

Nascida a 21/11/1914 em Caxias – RS, Odila Zatti era a filha única do casal Fioravante Zatti (18/12/1892 a 10/03/1936; filho do casal Giacomo Zatti e Luisa Fregonese) e Leonilda Fasoli Zatti (26/09/1893 a 20/03/1969; filha do casal Giacomo Fasoli e Felicita Fabris), fundadores da casa de comércio que marcou época na então rua Júlio de Castilhos, entre as ruas Borges de Medeiros e Alfredo Chaves.

Iniciou seus estudos no Colégio Pompéia das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, de Ana Rech, localidade de Caxias. Bastante avançada para a época, a jovem Odila dividia-se entre os bailes de Carnaval do Clube Juvenil, as férias em Torres – RS e as aulas de piano, pintura e dança – em especial o famoso charleston, tão em voga nos bailes dos anos 1920. Concluiu os estudos no Gymnasio Estadoal Feminino Nossa Senhora do Bom Conselho de Porto Alegre – RS: gostava muito das viagens de trem até à capital junto a outros estudantes de Caxias. Sua mãe, Leonilda, a visitava com frequência. Odila formou-se em 14/12/1934.

O título de Rainha da Festa da Uva chegou em janeiro de 1934, dois anos após um episódio que poderia ter comprometido toda a história, quando ainda em Porto Alegre contraiu febre tifoide, perdendo todo o cabelo. De volta a Caxias e recuperada da doença, a jovem de 19 anos foi eleita por voto popular e, na sequência do resultado, ovacionada na varanda de sua casa pelo público e pela Banda do Batalhão de Caçadores. A coroação deu-se em 24/02/1934, em cerimônia realizada no Clube Juvenil, com presenças de José Antônio Flores da Cunha, Interventor Federal, e Joaquim Pedro Salgado Filho, Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio.

Odila sagrou-se Rainha acompanhada pelas aias Yvonne Paganelli, Carmem Hipólito e Ilka Falcão Fontoura, e pelas princesas Alda Gomes, Julieta Dal Prá e Zaíra Pante, com quem participou do corso ocorrido durante a Festa, em um carro alegórico de dezessete metros de comprimento. Sua filha Marta relata que, ao contar a história aos filhos, imitava a música da banda e as palmas das pessoas para que deixasse suas imaginações correrem e que a mãe emprestava às filhas pequenas as pedras preciosas que integravam o traje oficial de rainha, para que brincassem. Sua coroa pertence, atualmente, à filha Vera Festugato De Carli; já o vestido de Odila foi doado ao grupo de teatro da Aliança Francesa, para ser utilizado nas montagens teatrais do grupo, atuante entre 1958 e 1964.

Odila Zatti casou com o médico Gaston Festugato, filho de Antonio Natale (20/08/1881 a 10/01/1970; filho de Giovanni Batista Festugato e Angela Pelosato) e Olga Boscaro Festugato (07/08/1886 a 27/12/1953; filha de Agostino Boscaro e Luisa Santini), em 27/09/1939, nascendo dessa união os filhos Carlos (14/02/1941), Beatriz (15/02/1942), Vera (17/01/1944), Marta (10/10/1950) e Maria (26/11/1954).

Ela faleceu em 13/09/1990, aos 76 anos, vítima de parada respiratória e problemas no fígado.

Gazola S.A. Indústria Metalúrgica
BR.RS.AHMJSA.AP.GZL · Entidade coletiva · 1932-2012

Durante o ano de 1932, em todo o mundo, surgiam apreensões que desequilibraram as finanças dos países; na Europa, o Fascismo e o Nazismo criavam vulto, enquanto na Rússia crescia a introdução de uma política que combatia tanto a democracia quanto como o que denominavam “burguesia”. No Brasil, havia dois anos que ocorrera a Revolução de 1930, que mudara a situação política, social e financeira do país; as relações entre o Governo Provisório e alguns partidos políticos, principalmente gaúchos, foram tornando-se cada vez mais tensos, culminando na Revolução Constitucionalista, movimento armado ocorrido no estado de São Paulo que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. Então, no auge da campanha, o Governo, sabendo da necessidade de reforçar suas posições e da escassez de elementos materiais e deficiência de munições, recorreu ao estado do Rio Grande do Sul para a fabricação de tudo quanto fosse possível para atingir seus objetivos; o Estado-Maior do Exército no Rio Grande do Sul procurou nos meios locais atender às imediatas necessidades, encontrando diversas dificuldades.
Foi neste cenário que José Gazola, ainda moço e que de longa data se vinha interessando pela metalurgia e correlatos, aproveitou a oportunidade e procurou contato com a chefia militar em Porto Alegre, prontificando-se a tentar o fabrico do material bélico procurado: a primeira granada fuzil, tipo V.B. (Viviam Brezière), desenhada pelos órgãos técnicos do antigo Arsenal de Guerra de Porto Alegre. Já em fins do mês de Julho de 1932, adquiriu algumas máquinas e, com urgência, organizou a firma “José Gazola e Cia.”, da qual faziam parte seus irmãos Antônio e Sílvio. Instalada a firma e montada a fábrica, foram iniciados os trabalhos e, trinta dias após o recebimento do desenho, José Gazola apresentou os primeiros exemplares do novo artefato bélico, com fabrico ainda inédito no Brasil; com êxito em todas as provas e experiências feitas na linha de tiro da Brigada Militar do Estado, José Gazola assinou o primeiro contrato de material bélico com o Governo Federal, para fornecimento às forças armadas brasileiras.
Terminada a Revolução Constitucionalista, os irmãos Gazola, depois de muitos estudos e pesquisas junto a firmas berlinenses, instalaram a primeira fábrica no Brasil de espoletas para caça com a razão social “Gazola, Travi & Cia.”, por ocasião da associação de Marcos Travi. O êxito de suas operações foi grande, tanto que esta foi sondada por industriais paulistas, aos quais foi vendida a pequena mas bem montada fábrica de munições. A firma resolveu, então, após minuciosos estudos, importar equipamentos e instalar a primeira forja de cutelarias na região nordeste do Rio Grande do Sul, que foi a segunda em todo o Brasil. Enquanto José Gazola percorria o país pesquisando matérias-primas e lançando novos produtos, seus irmãos, Sílvio e Antônio, com operários ainda inexperientes, atendiam os serviços internos.
Mesmo com a qualidade de seus produtos e acabamento que consolidaram o nome de sua indústria em todo o território nacional, os irmãos Gazola enfrentaram muitas dificuldades, não apenas pela falta de mão de obra especializada, mas também pelo descrédito a que foi lançada a produção nacional, devido à falta de apoio e incentivo dos poderes públicos; obrigados a reverter os pequenos lucros em novo maquinário, conseguiram aumentar a empresa e também melhorá-la.
Já em 1939, novos acontecimentos, desta vez internacionais, alteraram os planos traçados pela empresa: a Segunda Guerra Mundial, iniciada na Europa, transformou o ambiente comercial e industrial pela suspensão da exportação de matérias-primas daquela origem; somente os Estados Unidos da América atendiam pedidos, originando uma corrida para obtenção de matéria-prima nacional. Começa, então, o período de racionamento e reaproveitamento, obrigando a metalurgia nacional a fabricar novos produtos para garantir sua sobrevivência. Apesar da segurança brasileira em relação à gravidade dos acontecimentos, já entre 1940 e 1942, o país começou a movimentar-se quanto à defesa e armamento, mobilizando a indústria para suprir do que viria a necessitar para a defesa e mobilização das Forças Armadas. José Gazola, ante a situação, reúne os membros da empresa e resolve viajar ao Rio de Janeiro, oferecendo seus serviços aos órgãos técnicos do Ministério da Guerra e da Marinha, que, embasados na experiência anterior de 1932, não tiveram dúvidas em aceitar.
A empresa iniciou, então, a fase de produção de material bélico, utilizando-se de motores a óleo, gasolina e gás pobre, devido à falta de energia elétrica suficiente, tudo sob a fiscalização técnica militar; por decreto (de 10 de Dezembro de 1942), a indústria Gazola foi declarada “de interesse militar”, fornecendo peças e elementos de munição para artilharia e infantaria, espoletas, detonadores, petardos, bujões para bombas de aviação e atuando na recuperação de carregadores para projéteis e outros objetos de guerra e precisão. A responsabilidade deste compromisso foi grande e exigiu o aumento de espaço: em amplo terreno de 30.000 m², devidamente arborizado e adaptado, foi estabelecida a segunda unidade industrial da empresa, destinada exclusivamente à confecção de material de guerra.
Agindo de forma intensa e acelerada, em 22/07/1943, uma violenta explosão, ainda com causa indeterminada, fez voar pelos ares o principal pavimento da nova fábrica, destruindo-o completamente e ocasionando na morte de cinco operárias. Assim, em questão de minutos, desaparecia todo o patrimônio da empresa, pois as instalações não estavam cobertas por seguro. Este desastre abalou profundamente os dirigentes da mesma, mas, estimulados pelas autoridades militares e civis do Estado e da União, o pavilhão foi reconstruído e equipado novamente, reiniciando o ritmo de trabalho que continuou até o término da Segunda Guerra, em 1945.
Em homenagem às vítimas da explosão, foi construído, ainda em 1943, o Marco em Memória às Moças Operárias, junto a um dos pavilhões de munições da empresa. Seu formato lembra um obelisco e possui uma placa de bronze; o marco foi tombado pelo Município de Caxias do Sul e lançado no Livro do Tombo em 30 de junho de 2003.
Em 1945, foi admitido um novo cotista: era José Ariodante Mattana, o que elevou o capital da empresa e, cessada a fabricação de material bélico em larga escala, foi iniciada a de artigos domésticos. Em 1946, recomeçou a fabricação de cutelarias finas, o que permitiu que a empresa entrasse novamente no mercado e buscasse nos Estados Unidos da América novas máquinas e equipamentos para enriquecer seu parque industrial, além do projeto de fabricação de projéteis perfurantes antitanques. Já em 1949, após estudos realizados em terras norte-americanas, as indústrias Gazola fecharam seu primeiro contrato para fornecimento de modelos 37 mm para as forças brasileiras.
Deste mesmo ano até 1952, sua produção aumentou consideravelmente, mas seus escritórios e expedição tornaram-se precários; pensando nisso, a empresa construiu um moderno edifício e transferiu a Direção e os setores de Contabilidade, de Mostruários e Expedição, além de uma loja de vendas a varejo – a “Brazex” – para o mesmo. A construção do “Edifício Brazex”, em linhas modernas, obedeceu ao chamado “estilo funcional”, dotada com equipamento de calefação, o que abriu uma nova era nas edificações de Caxias do Sul. Neste contexto, sua razão social muda novamente, passando a chamar-se “Indústria Metalúrgica Gazola Ltda.”, devido à saída dos quotistas Marcos e Otarino Travi. A direção ficou com José e Sílvio Gazola, José Ariodante Mattana e Ernesto Cecílio Russomanno assumiram como Subdiretores e Ivo Gazola como Chefe dos Escritórios.
O parque industrial da Indústria Metalúrgica Gazola Ltda., expandido e inaugurado em Março de 1966, era composto de duas unidades, onde funcionavam as máquinas operatrizes e gabinetes de desenho, de metrologia, de resistência dos materiais, de aparelhos de controle, de calibragem e cunhagem, além de produção de artefatos bélicos e de precisão, de munição e armas para caça, peças para máquinas automotoras e de usinagem, peças de precisão para automóveis e caminhões, engrenagens para caixas de câmbio e transmissão. As linhas “Elmo”, “Elmo Cutelaria”, “Elmo Inox”, “Elo”, “Gazola” e “Vulcano Munições” eram marcas registradas da empresa, que tinha, ainda, representantes e caixeiros viajantes em 18 estados brasileiros, além de uma unidade em Nova Iorque (EUA).
Em 1967, a empresa tornou-se sociedade anônima e, em 1971, realizou a abertura de seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo. Em Março de 1974, foi inaugurada a nova fábrica de tesouras, com ampla divulgação na imprensa.
A partir de 1990, a companhia expandiu seu portfólio de produtos com o início da produção de panelas de aço inoxidável. Em 1999, ingressou no mercado de componentes e acessórios para implementos rodoviários.
Combalida por dificuldades financeiras, a empresa teve sua falência decretada em agosto de 2009. Um mês mais tarde, devido a recurso provido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, foi possibilitada a retomada de suas atividades – fato que só ocorreu em meados de Dezembro do mesmo ano. Desestruturada pelo período em que permaneceu fechada, a companhia não logrou sucesso em sua tentativa de recuperação e teve suas operações fabris encerradas em meados de 2010.
O registro de companhia aberta foi suspenso pela Comissão de Valores Mobiliários pela primeira vez em 16/04/2010, em virtude da não publicação de demonstrativos financeiros desde o exercício de 2008. Em maio de 2012, o registro foi definitivamente cancelado pela autarquia. Em 2013, parte do acervo da companhia foi adquirido por dois empresários e itens históricos de propriedade da empresa, tombados pelo município, começaram a ser catalogados com o objetivo de integrar um museu.
Em novembro de 2013, por ocasião da conclusão de processo sancionador conduzido pela Comissão de Valores Mobiliários, os administradores da empresa receberam condenações, na forma de multas e inabilitações de exercício de função em companhias abertas, sob a alegação de abuso de poder de controle.

Família Gazola
BR.RS.AHMJSA.AP.GZL · Família · 1932-2013

José Gazola nasceu em Antônio Prado – RS, aos 07/09/1902. Formou-se como Técnico Rural, na cidade de Viamão – RS, e foi professor em Rio Grande – RS; posteriormente, trabalhou em Caxias, nas firmas Amadeu Rossi e Granzotto & Cia. Ainda moço, interessado na metalurgia e correlatos, aproveitou uma oportunidade surgida com a Revolução Constitucionalista, quando o Estado-Maior do Exército no Rio Grande do Sul procurou nos meios locais atender às imediatas necessidades de armamento. Gazola contatou a chefia militar em Porto Alegre, prontificando-se a tentar o fabrico do material bélico desejado: a primeira granada fuzil, tipo V.B. (Viviam Brezière), desenhada pelos órgão técnicos do antigo Arsenal de Guerra de Porto Alegre. Já em fins do mês de Julho de 1932, adquiriu algumas máquinas e, com urgência, organizou a firma “José Gazola e Cia.”, da qual faziam parte seus irmãos Antônio e Sílvio. Instalada a firma e montada a fábrica, foram iniciados os trabalhos e, trinta dias após o recebimento do desenho, José Gazola apresentou os primeiros exemplares do novo artefato bélico, com fabrico ainda inédito no Brasil.

Terminada a Revolução Constitucionalista, os irmãos Gazola, depois de muitos estudos e pesquisas junto a firmas berlinenses, instalaram a primeira fábrica no Brasil de espoletas para caça com a razão social “Gazola, Travi & Cia.”, por ocasião da associação de Marcos Travi. O êxito de suas operações foi grande, tanto que a firma resolveu, então, importar equipamentos e instalar a primeira forja de cutelarias na região nordeste do Rio Grande do Sul, que foi a segunda em todo o Brasil. Enquanto José Gazola percorria o país pesquisando matérias-primas e lançando novos produtos, seus irmãos, Sílvio e Antônio, com operários ainda inexperientes, atendiam os serviços internos.

Entre 1940 e 1942, José Gazola reúne os membros da empresa e resolve viajar ao Rio de Janeiro, oferecendo seus serviços aos órgãos técnicos do Ministério da Guerra e da Marinha, que, embasados na experiência anterior de 1932, não tiveram dúvidas em aceitar. A empresa iniciou, então, a fase de produção de material bélico por decreto (de 10 de Dezembro de 1942): a indústria Gazola foi declarada “de interesse militar”, fornecendo peças e elementos de munição para artilharia e infantaria. Em 1946, recomeçou a fabricação de cutelarias finas, o que permitiu que a empresa entrasse novamente no mercado e buscasse nos Estados Unidos da América novas máquinas e equipamentos para enriquecer seu parque industrial. As linhas “Elmo”, “Elmo Cutelaria”, “Elmo Inox”, “Elo”, “Gazola” e “Vulcano Munições” eram marcas registradas da empresa, que tinha, ainda, representantes e caixeiros viajantes em 18 estados brasileiros, além de uma unidade em Nova Iorque (EUA). A partir de 1990, a companhia expandiu seu portfólio de produtos com o início da produção de panelas de aço inoxidável e ingressou no mercado de componentes e acessórios para implementos rodoviários.

Combalida por dificuldades financeiras, a empresa teve sua falência decretada em agosto de 2009 e, desestruturada pelo período em que permaneceu fechada, a companhia não logrou sucesso em sua tentativa de recuperação e teve suas operações fabris encerradas em meados de 2010.

José Gazola foi, ainda, um dos fundadores do Rotary Clube, assim como do Lions Clube de Caxias do Sul e do Grupo das Falenas. Foi presidente da Associação Comercial e do Clube Juvenil. Era casado com Odithe Silla Gazola, com quem teve dois filhos: Livio Cesar (seu sucessor na empresa) e Júlio Lúcio Gazola. Era detentor da Ordem do Pacificador, concedida pelo Exército, de comenda na Ordem do Cavalheiro, conferida pelo Governo Italiano e Ordem do Mérito Marechal Rondon. José Gazola faleceu aos 69 anos, em Caxias do Sul, a 20/03/1972.

Ivo Antônio Gazola era filho de Reinaldo Gazola, natural de Antônio Prado – RS, e Maria Luiza Carletti, nascida na Itália. Após concluir o ginásio, matriculou-se no curso de “Perito Contador, no colégio Nossa Senhora do Carmo, trabalhando durante o dia. No seu aniversário de 17 anos, ingressou na empresa de seu tio, José Gazola, a Gazola Indústria Metalúrgica Ltda., quase no mesmo ano em que, por Decreto-Lei de Getúlio Vargas, esta foi considerada de interesse militar e passou a produzir materiais bélicos para o Exército Nacional. Na nova produção, Ivo passou do Almoxarifado para a Química, produzindo fulminato de mercúrio, o explosivo destinado ao carregamento de granadas, função esta exercida até o acidente que enlutou a firma e inúmeras famílias caxienses: a violenta explosão na fábrica, no final de 1943.

Após 1950, passou a atuar como Gerente do Almoxarifado da empresa, escalonando para Gerente de Escritório Central, depois para Gerente Financeiro, Gerente de Vendas e, finalmente, em 1979, para Diretor Comercial. Como funcionário e administrador, viveu anos de expansão na conquista de novos mercados, obtendo subsídios de visitas a feiras e exposições nacionais e internacionais, como na África e em Milão.

Ivo Gazola também de destacou na comunidade caxiense por anos de leonismo: foi presidente do Lions Clube da cidade e responsável, como tesoureiro, pela construção da escola Melvin Jones. Ligado ao ramo da metalurgia, foi diretor financeiro e, posteriormente, presidente da ABITAC – Associação Brasileira da Indústria de Talheres e Cutelaria, Utensílios Domésticos, Hospitalares e Similares, em São Paulo, por duas gestões, quando viabilizou a instalação da sede da entidade junto à FIERGS, em Porto Alegre – RS, o que possibilitou um melhor atendimento à categoria. Em 1987, Ivo Antônio Gazola recebeu homenagem da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil/RS pelos 55 anos de atividades da empresa Gazola S.A. Em 1992, foi agraciado com o Troféu Caxias 116, através do Jornal Pioneiro e da Rádio São Francisco; em 1993, foi reconhecido como “Colaborador Emérito do Exército” pelo Exército Brasileiro. Já em 2008, Ivo foi homenageado com o “Mérito Metalúrgico Gigia Bandera”, por sua visão estratégica, representação institucional, empresarial e de defesa da livre iniciativa.
Em 1948, Ivo Gazola casou-se com Beloni Meyer, de Veranópolis – RS, com quem teve seus quatro filhos: Maria Tereza, Paulo Cesar, Luiz Alberto e Thais. Ivo Antônio Gazola faleceu em Caxias do Sul, aos 87 anos.

Livio Cesar Gazola nasceu em Caxias do Sul em 29/09/1928. Seus pais, José Gazola e Odithe Silla Gazola, imigrantes italianos, residiram inicialmente em Antônio Prado e junto aos filhos, por volta de 1920, vieram residir em Caxias.

No ano de 1954, Livio Cesar Gazola ingressou na empresa de seu pai, a Indústria Metalúrgica Gazola Ltda., no cargo de Assessor do Departamento Técnico. Três anos depois, assumiu o cargo de Chefe de Compras e, no ano de 1960, após a realização de curso de pós-graduação no exterior, assumiu o cargo de Diretor. Foi uma nova fase: a responsabilidade e os encargos foram se tornando mas amplos e o desafio cada vez maior e abrangente. Em 1969, foram inauguradas as novas instalações de Gazola S.A.: sua área física fora ampliada e uma nova estrutura tecnológica implementada, o que motivou a visita de autoridades de expressão nacional, como a do então Presidente da República, Costa e Silva. Já em 1972, fruto de sua dedicação e conhecimento, Livio passou a ocupar o cargo de Diretor Presidente da empresa e, concomitantemente, dirigiu as empresas Brazex S.A. – Predial, Indústria e Comércio, Brazmar S.A. – Hotéis, Turismo e Empreendimentos Imobiliários e Brazpar – Administração e Participações Ltda.

Paralelamente às atividades de empresário, Livio desempenhou funções nos mais variados segmentos da sociedade caxiense. Nos anos de 1961 e 1962, presidiu o Rotary Clube de Caxias do Sul; de 1962 a 1964, o SIMECS – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul. Já em 1965, presidiu o Centro Cultural Norte-Americano de Caxias do Sul; no ano de 1969, a convite do então prefeito, Hermes João Webber, Livio Cesar Gazola foi presidente da Festa da Uva. Participou, ainda, da direção do Clube Juvenil, passando a integrar, mais tarde, seu Conselho Fiscal. Na FIERGS – Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, ele ocupou cargos importantes entre as décadas de 1960 e 1970, como Presidente do Conselho Deliberativo Superior e atuando em Diretorias. Na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, foi presidente do Conselho Deliberativo (1989 a 1991) e, posteriormente, do Conselho Superior da instituição. Em 1976, Livio Cesar Gazola foi nomeado presidente do Esporte Clube Juventude, do qual era torcedor e, mesmo findo seu mandato, continuou trabalhando pelo clube esmeraldino, integrando Conselhos e assessorando sua presidência. Em 1987, foi homenageado com o “Mérito Metalúrgico Gigia Bandera” e, em 18/11/1997, recebeu a Comenda do Décimo Aniversário do SENAI José Gazola – Centro de Formação Profissional. Em 20/08/1998, recebeu o título de Cidadão Emérito da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul. Permaneceu na presidência da Gazola S.A. Indústria Metalúrgica até 2004, quando passou a integrar o Conselho de Administração da empresa.

Livio Cesar Gazola casou-se, em Julho de 1956, com Sandra Souza Leão de Oliveira, que conheceu em uma viagem ao Rio de Janeiro e com quem teve quatro filhos: Luiz Eduardo, Ana Isaura, Flávia e Adriana. Ele faleceu aos 78 anos, em Caxias do Sul, vítima de insuficiência cardíaca.

Família Gianella
BR.RS.AHMJSA.AP.GIA · Família · [1880] até dias atuais

Matteo Carlo Gianella, filho de Giuseppe Gianella e Maria Stornelli Gianella, nasceu em 10 de novembro de 1883 na região de Piemonte, Província de Vercelli, na localidade de Crocemosso, Itália. Desde de menino, Matteo trabalhou em pequenas tecelagens e já aos seis anos de idade conseguia ganhar algumas “liras” emendando fios. Aos 15 anos foi promovido a técnico no ofício de fiandeiro e aos 17, Matteo já havia conseguido economizar algum dinheiro. Incentivado pelo pai, partiu para a América, estabelecendo-se em Buenos Aires, onde permaneceu por 11 anos trabalhando na sua profissão. Encarregado de montar o maquinário da Fábrica de Lã Campomar (Campomare), e posteriormente outra fábrica, denominada Buzzalla, Matteo ganhou experiência no ramo da tecelagem na capital argentina.

Porém, foi através de um anúncio de jornal em Buenos Aires, e em meio a muitas dificuldades na capital argentina, que Matteo decidiu vir para o Brasil por volta de 1913, ano em que recebeu o convite de Hércules Galló para ajudar a instalar em Galópolis a fiação e fábrica de fios que veio a se transformar no Lanifício São Pedro, posteriormente, Lanifício Sehbe S.A. Com conhecimento técnico em máquinas e especialização no ramo têxtil, foi designado a montar os equipamentos do lanifício, onde trabalhou por quatro anos. Naquela localidade, Matteo conheceu Ermelinda Viero, com quem casou a 04 de março de 1916. O casal teve seis filhos, dos quais dois faleceram ainda pequenos, sendo um deles, José, que faleceu aos 4 anos. Chegaram à idade adulta: Doviglio, Remo, Italia e Elite.

O sonho de abrir sua própria tecelagem começou a ser realizado após seu casamento com Ermelinda, quando o jovem casal estabeleceu-se em Santa Lúcia da IX Légua, dando início a uma pequena indústria com tecnologia rudimentar, que fabricava artigos para montaria. Ermelinda tingia e bordava as peças, que eram comercializadas no armazém de Abramo Eberle. O empreendimento começou em 1917, com máquinas de segunda mão e outras desenvolvidas pelo próprio Matteo, na Oficina Mecânica de Bortolo Triches, avô de Euclides Triches. Depois, com a ajuda do sogro Andrea Viero, o qual foi seu sócio por aproximadamente dois anos, Matteo adquiriu de Bortolo Triches, a propriedade que pertencia inicialmente à família Corsetti, às margens do Arroio Tega, no arrabalde Santa Catarina.

Surgiu, porém, um problema, não havia dinheiro para comprar a lã, matéria-prima da fábrica. Foi quando dona Ermelinda lembrou-se de que o colchão que haviam recebido de presente quando casaram continha aproximadamente 40 quilos de lã. Poderiam desmanchá-lo e assim dar início aos trabalhos da fábrica em 1920, quando a sociedade é modificada, entrando Domingos Viero em lugar de seu pai. Nessa época, a empresa denominava-se Matteo Gianella & Viero, que perdurou durante 20 anos. Tempo em que a produção diversificou-se e pavilhões foram sendo construídos. À medida em que novas máquinas iam sendo compradas, Matteo acrescentava as de sua própria inventividade. Em 1940, os filhos do casal, Doviglio e Remo, assumem a parte transferida por Domingos Viero e a empresa passa a se chamar Matteo Gianella & Cia. Após a morte de Matteo, em novembro de 1942, a razão social passa a ser Vva. Matteo Gianella & Cia.

Matteo Gianella teve seu nome designado para nomear uma das ruas do bairro Santa Catarina e também duas escolas da cidade, uma localizada em Santo Homo Bom, Zona Pigatto, no interior de Ana Rech, inaugurada em maio de 1953 e outra no bairro Santa Catarina, denominada nos anos de 1980, Escola Estadual de 1o Grau Matteo Gianella, oriunda da fusão da Escola Reunida Santa Catarina, posteriormente, Escola Isolada do Bairro Santa Catarina, com o G.E. Aristides Germani.

Ermelinda Viero Gianella, filha de Andrea Viero e Eliza Depauli Viero, nasceu em 27 de junho de 1893, em São Pedro da 3ª Légua, onde estudou na escola da professora Candinha Bay. Após concluir a “Seleta”, foi convidada por sua professora para ajudá-la na escola, devido ao seu destaque nos estudos e ao grande número de alunos para atender. Ermelinda cuidava do material didático e das lousas ou pedras para que estivessem limpas na hora de serem usadas. Porém, o que Ermelinda desejava mesmo era costurar e, depois de algum tempo mudou-se para a casa de parentes, em Caxias, onde trabalhava como doméstica no turno da manhã, e à tarde frequentava a casa de Maria Bragagnollo, na época uma das melhores modistas, para aprender corte e costura. Já dominando a nova profissão, voltou para a Terceira Légua e começou a costurar.

Ermelinda conheceu Matteo Gianella na festa do Santo Padroeiro, no entanto, o casal teve muitas dificuldades para levar o namoro a diante, pois como Matteo era bem mais velho e vinha de Buenos Aires, o pai de Ermelinda, preocupado com a possibilidade de ele ser um homem comprometido, criou muitos empecilhos para que o casamento se realizasse e só permitiu depois que Matteo provou que realmente era solteiro. Ermelinda e Matteo casaram em 04 de março de 1916 e fixaram residência em Galópolis, em uma das casas de alvenaria do Lanifício, onde Matteo ainda trabalhou por algum tempo.

Entretanto, desgostoso com os baixos salários que recebia, Matteo se propôs a abrir seu próprio estabelecimento e construiu seus primeiros teares, porém, não tinha dinheiro para adquirir a matéria-prima. O pai de Ermelinda, entusiasmado com a iniciativa do genro, decidiu associar-se no negócio e comprou as terras e o moinho que pertenciam à família Corsettti, no arrabalde de Santa Catarina, onde foi instalado o primeiro Lanifício Matteo Gianella. Com dificuldades financeiras para dar início ao negócio, Matteo tentou arranjar dinheiro emprestado. Não conseguindo seu intento, Ermelinda propôs desmanchar o colchão “de pura lã” que haviam ganhado dos familiares, como presente de casamento. De posse da matéria-prima deram início ao novo lanifício, no qual Ermelinda se ocupava de forma intensa, fiando, cardando, operando nos teares e cuidando dos livros da empresa, além de realizar suas tarefas de dona de casa e mãe.

Ermelinda, que era boa costureira e desenhista, desempenhou múltiplas funções, cuidando dos negócios quando o marido se ausentava e assumindo gradativamente responsabilidades para o bom andamento da empresa. Durante o período em que Matteo se encontrava em Caxias, o trabalho de supervisão era dividido entre os dois. Ermelinda tomava conta da produção dos setores onde trabalhavam as mulheres, e Matteo se ocupava mais com a produção de fios e tecidos. Desse modo, Ermelinda teve importante participação no lanifício fundado em 1917, sendo considerada a primeira mulher em Caxias a operar uma máquina de malhas, a qual foi importada da Itália por Matteo.

Aos 49 anos, Ermelinda fica viúva e leva adiante o empreendimento, dando continuidade às suas atividades na fábrica, que passa a denominar-se Vva. Matteo Gianella & Cia., cuidando dos negócios e dando rumo à tecelagem, até entregá-la para os filhos, quando a razão social da empresa passa a ser Vva. Matteo Gianella & Filhos. Ao final da década de 1960 é fundada a Fiação Ermelinda Gianella S.A., especializada em fios para malharia, tricô e tapeçaria. Além de todas as tarefas que desempenhava na empresa, Ermelinda encontrava tempo para auxiliar os operários da fábrica e os moradores do bairro com roupas, alimentos, medicamentos e palavras de conforto quando necessário. Sempre comprometida com as questões sociais, Ermelinda trabalhou para a construção da atual Igreja de Santa Catarina, ajudou na fundação do Grêmio Esportivo Gianella e se empenhou para que fosse criada a Escola Estadual Matteo Gianella. Estava sempre presente nas atividades ligadas à igreja e à escola. As festas de Santa Catarina e de 1o de Maio eram comemoradas com os operários, sempre com um concorrido churrasco de confraternização.

Conforme entrevista de seu filho Doviglio Gianella ao jornal Pioneiro, edição de 25 e 26 de novembro de 2000, Ermelinda ajudou a fundar, [em 1949], a Ordem Terceira de São Francisco em Caxias do Sul. Com o falecimento de Ermelinda, em 2 de julho de 1969, o complexo já havia se desdobrado em Lanifício Matteo Gianella Ltda e Fiação Ermelinda Gianella S.A., que no final da década de 1970, muda sua razão social para Ermelinda Gianella Ltda.

Euclides Triches
BR.RS.AHMJSA.AP.EUC · Pessoa · 23/04/1919 a 11/02/1994

Euclides Triches nasceu em Caxias do Sul – RS, mais precisamente na região da 9ª Légua (bairro Santa Catarina), no dia 23/04/1919, e era filho de João Triches, oriundo de Santa Giustina, província de Belluno – Itália, e de Adélia Bracaggioli Triches. João e Adélia tiveram cinco filhos: Gino, Euclides, Clélia, Olga e Hilda. Cursou o primário no Colégio Nossa Senhora do Carmo, de sua cidade natal, e no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Bom Princípio, localidade que na época pertencia ao município de São Sebastião do Caí – RS. Após concluir o ginásio no Colégio Nossa Senhora do Carmo, em 1936, transferiu-se para o Rio de Janeiro – RJ, então Distrito Federal, onde frequentou o “Curso Freycinet”, onde formou-se em Matemática Superior, e o curso preparatório para a carreira militar no ano seguinte.
Sentou praça em abril de 1938 ao ingressar na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de Engenharia em dezembro de 1940. Promovido a segundo-tenente em agosto de 1941, foi transferido ainda nesse ano para o 3º Batalhão Rodoviário, sediado em Lagoa Vermelha – RS, onde participou da construção da rodovia Vacaria/Lagoa Vermelha/Passo Fundo até 1943. Nesse ínterim, foi promovido a primeiro-tenente em outubro de 1942. Em 1944, serviu no 1º Batalhão Ferroviário, com sede em Bento Gonçalves – RS, tendo participado das obras de construção da ferrovia ligando essa cidade a Rio Negro – PR. Nesse mesmo ano, foi lotado no Arsenal de Guerra General Câmara, no Rio Grande do Sul, alcançando o posto de capitão em maio de 1945. Diplomado em engenharia metalúrgica pela Escola Técnica do Exército em 1948, passou no ano seguinte a atuar no Departamento de Fundição de Metais da Fábrica de Juiz de Fora – MG.
Depois de se reformar como major em 1951, iniciou vida política ao se eleger prefeito de Caxias do Sul (31/12/1951 a 31/01/1954) na legenda da coligação formada pelos partidos: Partido Social Democrático (PSD), Partido Libertador (PL), União Democrática Nacional (UDN) e Partido de Representação Popular (PRP), com os slogans “Água para a cidade, estradas para a Colônia” e “Colônia rica, cidade milionária”. No ano seguinte, foi convidado pelo governador Ildo Meneghetti para ocupar a Secretaria de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul, renunciando ao cargo de prefeito. Ainda em 1955, licenciado da Secretaria, concorreu à prefeitura de Porto Alegre na legenda da Frente Democrática, coligação que reunia a UDN e o PSD, representando o situacionismo estadual. Foi, contudo, derrotado por Leonel Brizola, candidato do PTB – Partido Trabalhista Brasileiro. Durante sua gestão como Secretário de Obras Públicas do RS, foi concluída a construção do sistema de pontes sobre o rio Guaíba.
Em 1959, depois de encerrado o governo Meneghetti, foi designado para integrar uma comissão técnica no EMFA – Estado-Maior das Forças Armadas, na qual permaneceu até o ano seguinte. Em 1961, foi indicado pelo CNPq – Conselho Nacional de Pesquisas para fazer um estágio de aperfeiçoamento em estabelecimentos industriais de vários países da Europa por um período de um ano. De volta ao país, elegeu-se como Deputado Federal pelo Rio Grande do Sul no pleito de outubro de 1962, na legenda da Ação Democrática Popular, integrada pelo PL, o PRP, a UDN e o PDC – Partido Democrata Cristão; foi empossado em fevereiro de 1963 (02/02/1963 a 01/02/1971). Em abril do mesmo ano, tornou-se vice-líder do PDC, ocupando a partir de maio de 1964 (após o movimento político-militar de 31/06/1964, que derrubou o presidente João Goulart) a liderança de seu partido na Câmara dos Deputados.
Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, de 27/10/1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se em dezembro de 1965 à ARENA – Aliança Renovadora Nacional, partido governista. Em maio do ano seguinte, tornou-se vice-líder da Arena na Câmara, reelegendo-se nessa legenda no pleito de novembro de 1966. Durante seus mandatos, Triches integrou as comissões de Orçamento, de Segurança Nacional e de Minas e Energia da Câmara, tendo sido, no segundo, vice-líder da Arena e do governo. Membro do PSD, fez parte do movimento de partidos de direita (junto com a UDN e o Partido Libertador) para a formação da conservadora ARENA, sustentação civil do regime militar iniciado com em 1º de abril de 1964.
Indicado por Brasília, foi eleito governador do Rio Grande do Sul com respaldo parcial da Assembleia Legislativa Estadual em novembro de 1970, já no governo do General Emílio Garrastazu Médici. Assumiu o cargo em março do ano seguinte, dois meses depois de encerrar seu mandato na Câmara, em substituição a Valter Peracchi Barcelos (15/03/1971 a 14/03/1975). Em sua administração, tomou iniciativas nos setores da educação – cedeu parte da área da Estação Experimental de Viticultura e Enologia da Caxias do Sul para a construção da Universidade de Caxias do Sul –, pecuária, agricultura, indústria, transportes – foi dele a proposição da construção da Rota do Sol –, comunicações e energia. Quando deixou o governo gaúcho, foi substituído por Sinval Guazelli, também arenista e igualmente eleito pela Assembleia Legislativa Estadual. Após seu mandato como governador, seria indicado para a presidência da Amazônia Mineração S/A.
Em 1951, foi eleito Presidente Honorário do Aeroclube de Caxias do Sul. Em 18/10/1974, lhe foi concedido o título de “Cidadão Sul-Lourenciano” pela Câmara Municipal de São Lourenço do Sul – RS.
Durante a inauguração da nova sede da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, em 22/011/1996, o largo que faz a integração entre o Centro Administrativo Municipal e a Câmara de Vereadores de Caxias do Sul foi oficialmente denomidado “Centro Cívico Euclides Triches”. No local, foi instalada uma herma com a imagem de Triches, de autoria do escultor caxiense Bruno Segalla.
Era casado com Neda Mary Eulália Ungaretti Triches, com quem teve um filho, André Ungaretti Triches [1962]. Faleceu no dia 11/02/1994, aos 74 anos, vítima de problemas cardiovasculares, no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre. Foi velado no Palácio Piratini e sepultado no Cemitério Público Municipal de sua cidade natal.

Família Argenta
BR.RS.AHMJSA.AP.ARG · Família · 1889 a atual

Vicente Argenta, filho de Giácomo Argenta e Domenica Rento, migrou para o Brasil e desembarcou em Porto Alegre em 1880, sendo o primeiro Argenta a vir da Itália, de uma família de 21 irmãos. Logo que chegou ao Brasil conseguiu emprego em uma fábrica de carroceiras [carros] de Luiz Rothfuchs, em Porto Alegre, onde trabalhou por vários anos. Após juntar algum dinheiro, Vicente mandou buscar a mãe e 3 irmãs (o pai já era falecido) e decidiu, então montar um pequeno hotel em São Sebastião do Caí.

Em 1889 chegou na Freguesia de Santa Teresa de Caxias, onde montou um café na Rua Julio de Castilhos em frente a Praça Dante Alighieri, mesmo ano em que conheceu e casou com Teresa [Theresa,Tereza ou Thereza] Bregatto (02/09/1865 a 30/06/1960), filha de Girolamo [Jerônymo ou Jerônimo] Bregatto (01/12/1830 a 04/04/1906) e Rosa Costa ([indeterminado] a [1872]). Com Teresa, Vicente teve 8 filhos: Ernesto (29/08/1890 a 24/09/1931), Eleonora (13/09/1892 a 16/07/1985), Maria (21/02/1895 a 26/05/1975), Giselda (09/05/1897 a 10/08/1996), Dosolina (16/05/1900 a 05/03/1944), Hugo (15/05/1902 a 20/04/1965), Ema Roza (1904 a 24/03/1905) e Henrique Dante (16/10/1905 a 22/11/1908).

A pedido de Teresa, que achava o ambiente ruidoso e agitado, Vicente fechou o café e abriu uma fábrica de gasosa [em 1891], conhecida como “La gasosa de Argenta”, na esquina das ruas Júlio de Castilhos e Guia Lopes (antiga rua Dr. Salgado), local que posteriormente se tornou a residência da Família Argenta. Como naquela época, havia muita dificuldade em transportar as gasosas pois as estradas eram precárias e o transporte feito por burros, Vicente resolveu vender a fábrica de gasosa para os Leonardelli. Vicente queria aproveitar a experiência adquirida na Rothfuchs e então decidiu abrir, no mesmo local, uma fábrica de carros e outros tipos de veículos denominada “Fábrica de Carros Vicente Argenta, que foi a primeira fábrica de implementos para transporte de Caxias. Trabalhou neste ramo de veículos até que seu problema nos olhos (glaucoma) permitiu.

Atuante na Sociedade Operária São José (Società Falegnami S. Giuseppe), foi eleito Presidente em 29/04/1917. Neste mesmo ano, a sociedade comemorou seu 14º aniversário com uma festividade que iniciou com um cortejo acompanhado da Banda [Santa Cecília] que saiu da sua residência, até a Igreja e após rumaram a casa do intendente Col. Penna de Moraes, para convidá-lo para um banquete que ocorreu no Hotel Pezzi. Faleceu em 20/04/1935, aos 80 anos, em Caxias do Sul, vítima de hemorragia cerebral.

NOTAS: Teresa Bregatto nasceu em Rovereto, Áustria em 02/09/1865, por parte de Girolamo [Jerônymo ou Jerônimo] e Rosa, Teresa tem um irmão chamado Giovanni [João] Battista (1867 a [indeterminado]). Seu pai Girolamo Bregatto ficou viúvo e casou-se novamente com Emilia Carotta (04/09/1839- [indeterminado]), filha de Luigi e Maria Raiserer. Com Emilia, Girolamo teve mais dois filhos, Maria [Marietta] (27/10/1873 - [indeterminado] e Giuseppe (30/09/1875 – [indeterminado]). Alguns documentos sobre a biografia de Vicente Argenta relatam a existência de 9 filhos com Teresa Argenta, informando ter havido uma filha de nome Clara, que faleceu com vinte dias. Porém neste fundo documental não existem documentos que certifiquem esta informação.

Ernesto Argenta primogênito de Vicente Argenta e Teresa Bregatto Argenta, nasceu na Vila de Santa Teresa de Caxias- RS em 29/08/1890. Solteiro e sem filhos, Ernesto estudou na Escola Rio- Grandense de Caxias entre os anos de 1902 e 1905. Em 1908 mudou-se para Porto Alegre, residindo na casa do Sr. [João] Morganti (imigrante que veio ao Brasil junto com Vicente Argenta) e estudando na Escola Rio- Grandense de Porto Alegre. Ainda em Porto Alegre, em 1909 é aprovado para aprendizagem no Instituto de Engenharia e Electro Technica e, em 1913, após três anos de curso preparatório inicia o 1º ano de Engenharia Civil. Formou-se em Engenharia Civil em Porto Alegre-RS, com o projeto de uma escola elementar mista, tornando-se o primeiro Caxiense formado em Engenharia Civil. Em 1917, desenvolveu vários projetos, entre eles: Anteprojeto do Edifício do Fórum e da Intendência de Caxias do Sul (não executados).

Em 1920, Ernesto arrematou, mediante concorrência pública, a construção de um reservatório de água potável destinado a alimentar chafarizes que ficariam instalados na praça Dante [Alighieri] e na Rua Borges de Medeiros, bem como a construção de tanques de captação em terras da Intendência e de Antonio Giuriolo. Neste mesmo ano, o Intendente de Caxias Sr. Coronel José Penna de Moraes viaja a Porto Alegre, com um projeto de Ernesto para a construção de um edifício para o Colégio Elementar [Escola Primária Elementar Mista]. No final do ano de 1921, Ernesto viaja para Aracaju, onde se torna Diretor da Escola de Aprendizes Artífices de Sergipe, permanecendo neste cargo até dezembro/1923.

Durante o período que esteve a frente da escola de Sergipe, recebeu convites para integrar Comissões como Membro Perito de Comissão de Avaliação de Danos Causados em Consequência da Revolta Militar e Membro de Comissão para Construção de uma Penitenciária Modelo em Sergipe. Pelo belo desempenho a frente da Escola de Sergipe, Ernesto é convidado, em 1926, a ser Diretor da Escola de Artífices do Ceará, ficando encarregado de remodelar o Ensino Profissional Técnico desta escola e ainda prestar consultoria para remodelar e reformar as Escolas do Maranhão, Recife e a de Sergipe.

[Em 1927] começou a trabalhar como Engenheiro da Secretaria de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul, onde projetou alguns prédios como: Fórum de Bagé e o Quartel de Recrutas – Chácara das Bananeiras em Porto Alegre, [Diretoria de Obras Públicas do Estado] (DomO.P.E). Entre os anos de 1929 e 1930, Ernesto projetou a residência da Família Argenta, prédio em alvenaria com área edificada de 107 m² localizado na esquina das ruas Avenida Julio de Castilhos e Guia Lopes (antiga Dr. Salgado), em Caxias. A construção ficou a cargo de Luiz Bortola. No ano seguinte, em 1931, Ernesto é diagnosticado pelos Drs. Anne Dias e [Luiz] Faccioli com um caso grave de poliserosite tuberculose. Faleceu em 24/09/1931, aos 41 anos, em Porto Alegre, sendo nesta cidade enterrado. Anos mais tarde, em 1934, foi autorizado o translado de seus restos mortais para Caxias.

NOTAS: Por volta de 1910, Ernesto Argenta aproveitou o tempo livre das férias para confeccionar um porta-jóias para sua mãe, Teresa Argenta. O baú de madeira, por sua vez, se tornou um oratório, ostentando imagens de santos e um crucifixo sobre a cômoda de um quarto. E assim ficou por muito tempo, até que dona Teresa faleceu e o objeto foi herdado pela filha Giselda, que trocou as imagens de devoção por cartas e fotografias de família. Anos depois, foi a vez do neto Alexandre tomar posse do baú, ainda decorado por um tecido com flores nas cores vinho e branco, com fundo azulado. Foi então que as fotos deram lugar a imagens budistas. Pelo menos até 2008, quando a centenária caixa entalhada por Ernesto Argenta ganhou novo endereço: o setor de reserva técnica da Divisão de Museus de Caxias do Sul.

Hugo Torquato Argenta, sexto filho de Vicente Argenta e Teresa Bregatto Argenta, nasceu na Vila de Santa Teresa de Caxias – RS em 15/05/1902. Iniciou seus estudos preliminares no Colégio do Carmo em Caxias, posteriormente estudou no Instituto São José em Canoas, mas logo retornou à Caxias. Ao completar 18 anos, foi incluído como reservista na Sociedade de Tiro nº 248 de Caxias, sendo atirador de 2ª classe.

No início de sua vida profissional, trabalhou como bancário na filial caxiense do Banco Pelotense. Porém, logo em seguida foi convidado para trabalhar na Funilaria Eberle, sendo admitido em 1º de maio de 1923. Inicialmente passou a exercer a função de correspondente e auxiliar direto do Sr. Abramo Eberle que o chamava de “seu bom secretário”. Em 1943 tornou-se sócio, exercendo o cargo de Sub-Diretor Gerente, ano em que a empresa passou a denominar-se Metalúrgica Abramo Eberle Ltda. Mais tarde em 1947, quando a empresa constituiu-se em Metalúrgica Abramos Eberle S.A (Maesa), passou a ser Diretor Gerente. Finalmente em 1953, após o falecimento de José Abramo Venzon Eberle, assumiu o cargo de Diretor Vice-Presidente da Maesa. Quanto ao engajamento social e cultural, Hugo sempre demonstrou grande envolvimento e participação nas entidades da cidade, entre os cargos exercidos foi Diretor de Cultura do Grêmio Atlético Eberle, Presidente da Cooperativa dos Empregados da Metalúrgica Eberle, integrou por vários anos a Associação dos Comerciantes de Caxias e a Associação dos Empregados no Comércio, onde dividiu o cargo de vice- presidente com Angelo Costamilan e, por muitos anos esteve na Diretoria do Recreio da Juventude desde a sua associação, em 1918. Hugo também era acionista da empresa E. Mosele S.A Estabelecimentos Vinícolas, Indústrias e Comércio e membro do Conselho Fiscal.

Casou-se com Isaura Travi em 01/09/1938 tendo com ela uma filha de nome Vera Maria Argenta (11/08/1951 a indeterminado). Vera casou-se com Ricardo Dreher em 20/12/1967. Faleceu em 20/04/1965, aos 62 anos, em Caxias do Sul. A Lei nº 1970 de 25/10/1971, denominou logradouro da cidade com o nome de rua Hugo Torquato Argenta, localizada no bairro Nossa Senhora de Fátima, em Caxias do Sul – RS.

NOTAS: Em 1945 intermediou como procurador no contrato de compra e venda do prédio conhecido, na época, como antigo Hospital Carbone, hoje sede do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami. O negócio de compra e venda do prédio se desenvolveu nas seguintes etapas: Em 14/03/1945, o proprietário Romulo Carbone e sua esposa, Luccia, assinaram uma promessa de compra e venda do prédio com Dino F. Cia. Em 20/07/1945 foi assinada a escritura de compra e venda do prédio e o adquirente Dino F. Cia fez uma cessão e transferência de direitos, fracionando o imóvel em três partes, ficando 1/3 em sua propriedade, 1/3 para Julio João Eberle e 1/3 para Oscar Martini. Em 12/08/1946, Dino F. Cia e sua esposa, Noemia Minghelli Cia, venderam a sua terça parte para os já sócios-proprietários, Júlio João Eberle e Oscar Martini. Em 21/06/1951, os partidos políticos com representação em Caxias realizaram uma reunião para discutir um possível acordo na escolha de candidato único à sucessão municipal de Luciano Corsetti. Num total de 19 nomes, apenas 3 foram para o exame final: Hugo Argenta, Armando Luiz Antunes e Hermes Webber. Entretanto, nesta reunião, o PTB não concordou com nenhum destes 3 nomes, ficando a decisão definitiva para uma nova reunião. Em 28/06/1951, uma nova reunião foi realizada e em pronunciamento o PTB, então presidido por Guerino Zugno, foi definitivamente contrário à candidatura única. O PTB indicou para prefeito João José Conte e para vice-prefeito Antônio Pinho e os demais partidos acabaram se coligando e indicando para prefeito Major Eng. Euclides Triches e para vice-prefeito Hermes J. Webber, que foram eleitos. Um ofício datado de 20/09/1970 e assinado pelo Sr. Presidente Julio Costamilan, oriundo do Vereador José Régis Prestes, solicitou ao Jornal Pioneiro a indicação de nomes de personalidades para a denominação de ruas de Caxias. Entre estas denominações estava: “Hugo Torquato Argenta, industrialista, alto dirigente industrial de Caxias do Sul.” O processo de indicação consta como inexistente na Câmara de Vereadores, supondo-se que tenha sido perdido no incêndio que ocorreu em 1992.

Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami
BR.RS.AHMJSA.AHM · Entidade coletiva · 05 de agosto de 1976 a [atual]

Criado em 05 de agosto de 1976, pelo Decreto Municipal nº 4047, com o objetivo de guarda e gestão da documentação oficial e privada de interesse da história local e regional. Vinculado administrativamente ao Museu Municipal e funcionando em prédio anexo ao mesmo, ambos estavam subordinados à Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Em 1997, pela Lei Municipal nº 4704 , foi denominado Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami em homenagem ao cidadão caxiense que manteve, por muitos anos, o Centro Informativo da História Caxiense, destacando-se como pesquisador e escritor, apesar de trabalhar como barbeiro e alfaiate. Os documentos por ele recolhidos e preservados foram fundamentais para o início da formação do acervo que hoje constitui o patrimônio documental público de Caxias do Sul. Em 1998, pela Lei Municipal nº 5026, o Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami foi desvinculado administrativamente do Museu Municipal, ano em que também foi criada a Secretaria Municipal da Cultura de Caxias do Sul e o Departamento de Memória e Patrimônio Cultural. Essas ações representaram não só um avanço significativo para o próprio Arquivo, mas também para a preservação da memória e do patrimônio, valorizando a cultura da cidade. A instituição destacou-se por sua dinamicidade naquele período inicial, desde a participação na elaboração das primeiras leis de proteção ao patrimônio histórico-cultural, até o desenvolvimento de atividades acima das suas reais possibilidades de orçamento, seja na realização de exposições e publicações, seja na classificação e guarda dos acervos recolhidos ou doados.

Enio Luiz Arioli
BR.RA.AHMJSA.AP.ARI · Pessoa · Brasil, Caxias- RS, em 10/11/1928 / Brasil, Caxias do Sul – RS, em 01/11/1992

Enio Luiz Arioli, nasceu em 10/11/1928, filho de José Arioli (18/12/1884 - 02/08/1966) e de Edithe [Edith, Felice, Fenice] Pezzi Arioli (24/05/1888 – 09/05/1950). Era o caçula de 9 irmãos: Tereza Joana Arioli “Terezinha” (1910- indeterminado); Joana Arioli “Joaninha” (1912-1979); Carlito Arioli (1913 - 1994); Adelina Arioli (1917-1981); Gema Arioli (1919-1921); Maria Arioli (1921-1921); Mansueto Arioli (1922- indeterminado); Alberto Arioli (1925- 2021).

Iniciou sua vida profissional na Metalúrgica Abramo Eberle no cargo de aprendiz, no setor de Depósito e Expedição e durante 46 anos (13/04/1943 a 29/01/1988) exerceu diversas funções dentro da empresa, sendo gerente do Varejo de Caxias do Sul, no período de 1952 a 1974. Sendo homenageado com o Jubileu de Prata em 1968. Após, de 1974 a 1988, gerenciou a filial da empresa em Porto Alegre-RS. Neste período, entre 1981 e 1982, Enio foi transferido para a fábrica matriz de Caxias do Sul, assumindo a Gerência Nacional de Vendas das fábricas nº 2 e 8. Em 1982 foi novamente transferido como Gerente de Vendas da Regional de Porto Alegre, fábricas nº 2 e 8.

Casou-se com Ada Therezinha Chiaradia em 09/02/1952, e com ela teve 3 filhos: Alexandre Luiz (14/11/1952), Adriana Maria (30/09/1959) e Vicente José (12/11/65).

Recebeu muitos prêmios e homenagens pela sua atuação na área de vendas. Ajudou a fundar o Rotary Clube Imigrante, onde foi eleito o 1º Presidente durante o mandato 1969-1970; Participou de curso na Escola Superior de Guerra (ADESG) em 1966; Integrou desde a fundação o Clube dos Diretores Lojistas de Caxias do Sul (CDL), sendo Presidente nos anos de 1966-1967; Integrou a Ordem Maçônica na Loja Duque de Caxias – 3º Milênio, Caxias do Sul, sendo iniciado em 02/02/1973.

Por meio do Processo legislativo nº XXV/99 de autoria do vereador Francisco Assis Spiandorello foi aprovada a Lei nº 5.115 de 12 de maio de 1999, que denomina a rua Enio Luiz Arioli, no Bairro Esplanada, loteamento Residencial Madre Xavier.

Faleceu em 01/11/1992, aos 63 anos, em Caxias do Sul- RS.