Nasceu em 1940 na localidade de São Jorge da Mulada, em Criúva, no município de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil), onde viveu até os dezoito anos. Nesse local, trabalhou na agricultura como apoio à subsistência familiar. Filho de Cirino Xavier Pedroso, “estafeta” responsável pela correspondência local, e de Maria Felícia Pedroso. O entrevistado saiu da área colonial com dezoito anos para ingressar no serviço militar em Bento Gonçalves (RS). Após esse período, trabalhou nove anos na Cantina Luís Michielon, em Caxias do Sul, de onde foi demitido por conta da atuação no Sindicato da Alimentação e Bebidas. Realizou o ginásio e o científico no Colégio Noturno para Trabalhadores, atual Escola Presidente Vargas, nessa cidade. Atuou no Grêmio Estudantil, como vice da chapa encabeçada à época por Paulo Paim, congressista brasileiro. Cursou matrizaria, eletricidade e tornearia no Serviço Nacional de Indústria (SENAI). Aproximou-se das ideias comunistas devido ao contato de seu pai com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ao ouvir os discursos políticos de Percy Vargas de Abreu e Lima. Em 1968, ingressou na Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR Palmares). Foi preso por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e torturado por militares em Porto Alegre. Atuou clandestinamente no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) após a prisão. Foi presidente da Associação de Moradores do Bairro Cruzeiro, atuou no Conselho Municipal de Saúde, na União das Associações de Bairro (UAB) e no Sindicato dos Funcionários Públicos, em Caxias do Sul. Aposentou-se como servidor público da área de manutenção da Secretaria Municipal de Educação.
Dados extraídos da entrevista.
Nasceu em 18 de março de 1949, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). Filho do metalúrgico Itvino Michelli e da dona de casa Itália Pacífica Dal Pan Michelli. O ensino fundamental foi realizado no Colégio Nossa Senhora do Carmo e no Seminário dos Capuchinhos, em Vila Flores (RS), onde permaneceu até 1963. Trabalhou inicialmente como auxiliar de soldador junto ao pai metalúrgico. Em 1965, ingressou no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), a fim de realizar o curso de tornearia mecânica. No ano de 1966, ainda no SENAI, participou do Grêmio Estudantil local. Iniciou o ensino médio no Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza, período em que militou na União Caxiense dos Estudantes Secundaristas (UCES) . Entre os anos de 1967 e 1968, morou em Porto Alegre (RS), onde estudou na Escola Técnica Estadual Parobé, além de atuar na União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (UGES) e aproximar-se do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao retornar a Caxias do Sul, militou no PCB e, posteriormente, saiu do partido para ingressar na VAR Palmares. Foi preso e torturado pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Permaneceu encarcerado por sessenta dias na Ilha do Presídio, em Porto Alegre. Após o período de prisão, retornou à cidade natal, onde trabalhou no Instituto Santo Agostinho, na Comissão Municipal de Amparo à Infância (COMAI) e nas empresas Randon S/A, Alpina do Brasil e MEC-Rul. Concluiu Engenharia Mecânica na Universidade de Caxias do Sul (UCS), onde presidiu o Diretório Acadêmico do curso. Representou os militantes na Comissão Especial de Indenização a Ex-presos Políticos.
Dados extraídos da entrevista.
Nasceu em 29 de novembro de 1943, no Bairro de Ana Rech, Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). Filho de Liberato Fávero, agricultor e motorista de táxi e caminhão, e de Maria Mazzochi Fávero, agricultora, costureira e auxiliar de cozinha. Realizou o ginásio no Colégio Murialdo, o Científico no Colégio Estadual Cristóvão de Mendoza, onde iniciou a militância no movimento estudantil, e no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o “Julinho”, de Porto Alegre (RS). Segundo o entrevistado, a política sempre esteve presente na vida familiar, já que o pai admirava Getúlio Dornelles Vargas (1882-1954) e Leonel de Moura Brizola (1922-2004). A leitura das memórias de Simón Bolívar, das obras de José Ingenieros e de Erich Fromm, e dos preceitos da Teologia da Libertação também exerceram influência na sua formação política. Participou do Clube Pan-americano do Cristóvão de Mendoza, atuou na presidência da União Caxiense de Estudantes Secundaristas (UCES) e da União Gaúcha de Estudantes Secundaristas (UGES), entre 1966 e 1968. Manteve contato e trocas culturais com militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), embora jamais tenha se filiado. Atuou na organização da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR Palmares) em Caxias do Sul. Em 1969, com o recrudescimento do Regime Civil Militar e a perseguição dos órgãos de repressão do Estado, mudou-se com a esposa Clari Izabel Dedavid Fávero para Nova Aurora, no interior do Paraná. Nesse local, o casal trabalhou na alfabetização e na conscientização de agricultores a partir da metodologia de Paulo Freire. O entrevistado foi perseguido, preso e torturado durante o regime civil militar (1964-1985). Viveu no exílio, no Chile e na França, com a esposa e companheira de luta, Clari Izabel Dedavid Fávero. Durante o período no Chile, entre de janeiro de 1972 e dezembro de 1973, trabalhou em uma empresa de móveis como interventor (gerente) da Unidade Popular (UP) do então presidente Salvador Allende. No local, estabeleceu uma relação de diálogo com os funcionários e reorganizou a empresa. Com o golpe que derrubou esse governo, ingressou com a esposa no campo de refugiados da ONU e recebeu a solidariedade e o apoio financeiro de colegas e operários da empresa onde trabalhava. A instauração da ditadura chilena levou o casal a exilar-se na França. Nesse novo contexto, Fávero trabalhou com educação popular, além de realizar a graduação e o mestrado em Administração Econômica e Social na Universidade Paris VII e o Doutorado em Economia e Sociologia Rural, na Université de Paris X (Paris-Nanterre), em 1983. Atuou na coordenação da política exterior para América Latina e Caribe, a convite do governo de François Miterrand. Participou da fundação e da organização do Comitê Brasileiro pela Anistia. Com a abertura política no Brasil, o casal retornou ao país em 1985. Fávero recebeu o convite de Miguel Arraes para se estabelecer no estado de Pernambuco. Nesse estado, trabalhou na Comissão Estadual de Planejamento Agrícola e na Universidade Federal Rural de Pernambuco, além de desenvolver o projeto inovador "Banco de Caixas”, que tinha por objetivo o acondicionamento de frutas e verduras na CEASA, central de abastecimento público privada. Em 2004, Luiz Andrea concluiu o Pós-doutorado em Mercados Agrícolas Globalizados, na Université de Paris I Sorbonne (2004). Faleceu em 24 de fevereiro de 2011.
Dados extraídos da entrevista e do Currículo Lattes.
Maria do Carmo Favaro Verdi nasceu no dia 04 de outubro de 1958 em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil. Filha de Ênio Favaro e de Carmem Maria Wisintainer Favaro. O pai foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), perseguido político e preso logo após o Golpe Civil Militar (1964), destacando-se pelo envolvimento em causas sociais e pelo caráter contestador e inventivo. A entrevistada estudou no Colégio São José, no Colégio Madre Imilda e realizou o Científico no Instituto Estadual de Educação Cristovão de Mendoza. Cursou Artes no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Participou do movimento estudantil em Porto Alegre (RS) e da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) em Caxias do Sul (RS). A ênfase do relato é o resgate da trajetória de vida de Ênio Favaro.
Dados extraídos da entrevista.
Ernesto Augusto Bernardi, filho de Ernesto Bernardi, nasceu em 16 de abril de 1952, em Caxias do Sul (RS). Estudou no Instituto de Educação Estadual Cristóvão de Mendoza. Em 1972, iniciou o curso de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No mesmo ano partiu para Rússia, - à época União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) -, onde terminou a formação na Universidade Amizade dos Povos de Patrice Lumumba. Retornou ao Brasil em 1979. Atuou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Dados extraídos da entrevista com Ernesto Augusto Bernardi.
Guilhermina Lora Poloni Costa nasceu em dezoito de junho de 1911, no Bairro Desvio Rizzo, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil), filha de Pedro Poloni e de Paulina Lora Poloni. Estudou no Colégio Elementar José Bonifácio, no Colégio São José e na Escola Normal Duque de Caxias. Iniciou a docência no Bairro Desvio Rizzo. Trabalhou no Grupo Escolar Municipal Carlos Gomes, em São Romédio, e na Escola Municipal de Ensino Fundamental Catulo da Paixão Cearense, no Bairro Panazzolo. Atuou também na biblioteca do Colégio Estadual Henrique Emílio Meyer, na Secretaria de Ensino e na Secretaria da Prefeitura na administração de Armando Biazus. Exerceu a docência de 1932 até meados da década de 1960.
Roberto Segalla nasceu no dia 15 de dezembro de 1925, filho de Antônio Segalla e de Maria Panarotto Segalla, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). Estudou na Escola Elementar José Bonifácio e no Colégio Nossa Senhora do Carmo. Trabalhou na Metalúrgica Abramo Eberle e foi professor instrutor do SENAI Nilo Peçanha.
Nasceu em 17 de fevereiro de 1938, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). Filho do curtumeiro e oleiro João Ruaro Filho e de Maria Lídia Andrade Ruaro. A partir dos seis anos de idade viveu em São Francisco de Paula (RS), de onde mudou-se para servir na Base Aérea de Gravataí (RS). Em Porto Alegre (RS), estudou na Escola Estadual Dom João Becker, na Vila do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI). Na capital atuou no Movimento Estudantil, militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), clandestino à época, e participou do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçados. Ao retornar a Caxias, ingressou na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR Palmares). Foi preso em Porto Alegre (RS) e em São Paulo (SP). Em São Paulo foi torturado, passou pela Operação Bandeirantes e pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e permaneceu preso por um ano e oito meses (1970-1972). Novamente em Caxias do Sul, voltou a ingressar no PCB. Em 1982, foi eleito vereador na cidade pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) devido à clandestinidade do PCB. Faleceu no dia 14 de abril de 2016.
Dados extraídos da entrevista.
Nasceu em 13 de maio de 1942, na cidade de Alegrete, Rio Grande do Sul (Brasil), onde realizou o primário no Colégio Osvaldo Aranha. Filho de José Pacífico Carneiro, operário da viação férrea, e da dona de casa Maria Amália Carneiro. A política fazia parte do cotidiano familiar desde cedo: o pai era getulista e concorreu a vereador pelo Partido Social Democrático (PSD), em Alegrete; já a mãe, muito católica, apoiava a União Democrática Nacional (UDN). Por volta de 1954, a família mudou-se para o Bairro Navegantes, em Porto Alegre (RS). Na capital, o entrevistado estudou na Colégio Luterano da Paz, na Escola Protásio Alves e no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o “Julinho”. Nesse último local vivenciou a efervescência da militância estudantil e política e aproximou-se do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Posteriormente, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), devido à ilegalidade do PCB. Trabalhou como mandalete e, para incrementar a renda familiar após a morte do pais, ensinava matemática aos colegas na escola. Foi funcionário público municipal e atuou no Pronto Socorro de Porto Alegre. Trabalhou no Sulbanco, também na capital, ingressando no Sindicato dos Bancários. Foi funcionário do Banco do Brasil, em Garibaldi (RS). Em 1968, iniciou o curso de filosofia na Universidade de Caxias do Sul (UCS), porém não chegou a concluir. Participou do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna (SP), no ano de 1968. Foi preso por doze dias junto a muitos outros estudantes que estavam no congresso. Integrou a Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR Palmares), em Caxias do Sul. Em Garibaldi, onde trabalhava, foi preso novamente no dia seis de abril de 1970. Após a prisão, foi detido na Delegacia de Polícia de Caxias do Sul, até ser transferido para Porto Alegre. Na capital, permaneceu preso por um ano e um mês e foi torturado no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Em liberdade, ingressou na Universidade Federal do Rio do Grande do Sul (UFRGS) para cursar Direito. Como ex-preso político vivenciou dificuldades para colocar-se no mercado de trabalho. Com a anistia, voltou a trabalhar no Banco do Brasil até a aposentadoria em 1991. Trabalhou no gabinete de Tarso Genro (1993-1997) e de Raul Pont (1997-2001), do Partido dos Trabalhadores (PT), durante as respectivas gestões na prefeitura de Porto Alegre. Foi diretor de operação portuária no governo Olívio Dutra (1999-2003), e Diretor de Portos, no primeiro governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006).
Dados extraídos da entrevista.
Nasceu em 27 de novembro de 1949, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul (Brasil). Filha de Antônio Dedavid e de Catarina Tonietto Dedavid. Cursou o ginásio no Colégio Estadual Cristóvão de Mendoza e, posteriormente, ingressou na Escola Normal Duque de Caxias (atual Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza), onde começou a militar no movimento estudantil, com atuação no grêmio escolar. Nesse período, conheceu o marido Luiz Andrea Fávero, então presidente da União Caxiense de Estudantes (UCES). Na cidade, colaborou na construção da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR Palmares), juntamente com outros companheiros. Em junho de 1969, com o recrudescimento do Regime Civil Militar, a direção regional da VAR Palmares orientou a mudança do casal para Nova Aurora, no oeste do Paraná, onde moravam os pais de Luiz Andrea. Durante o período de permanência naquela região, Clari e Luiz Andrea colocaram em funcionamento uma escola, com autorização da Secretaria Municipal de Educação e o apoio da comunidade local. Lá atuaram na educação de crianças e, com base na metodologia de Paulo Freire, de adultos agricultores. Em Nova Aurora, contaram com o apoio de oito militantes da VAR Palmares e de simpatizantes nas atividades de conscientização política. Na madrugada do dia cinco maio de 1970, uma grande operação do exército, com setecentos homens, comandada pelo Batalhão da Polícia Militar de Curitiba com o Batalhão de Fronteiras de Foz do Iguaçu, prendeu e torturou o casal no sítio onde viviam. Após algumas horas, eles foram levados ao Batalhão de Fronteira de Foz, onde intensificaram as torturas com a chegada de agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Rio de Janeiro, o Esquadrão da Morte. No dia dezoito de setembro, Clari e Luiz Andrea foram transferidos ao DOPS de Porto Alegre (RS) e submetidos a novas torturas e inquéritos. O casal voltou ao Paraná após o julgamento e a absolvição de Luiz Andrea por participação em passeatas no ano de 1968. Naquele estado, Clari foi enviada à prisão de Piraquara, de onde saiu com auxílio das Irmãs Vicentinas. Foi julgada e condenada no dia treze de julho de 1971 a dois anos de prisão por ações subversivas, entre outras alegações. No retorno a Caxias do Sul, com o apoio de militantes da VAR Palmares, o casal conseguiu fugir para o exílio no Chile, de janeiro de 1972 a dezembro de 1973, e lá militou na Unidade Popular (UP), do governo de Salvador Allende. No entanto, devido ao golpe que derrubou Allende, partiram para o exílio na França, com o amparo das Nações Unidas, onde permaneceram por treze anos e tiveram dois filhos. Em Paris, participaram da fundação do Comitê Brasil Pela Anistia. Ao retornar ao Brasil, na década de 1980, Clari e Luiz Andrea se estabeleceram no Recife (PE) a convite do então Governador Miguel Arraes.
Dados extraídos da entrevista.