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Registro de autoridade
Mancuso Caxias
Entidade coletiva · 1909-[1950]

Domingos Mancuso abre o estúdio em sociedade com seu cunhado Pedro Fonini em 1909, com o nome de Mancuso&Fonini. Logo abre ateliê fotográfico próprio.
Em 1910 consta que o Ateliê Mancuso localiza-se na Rua Sinimbu nº 14, e já em 1911 o endereço passa a Rua Sinimbu, 28.
Na década de 1930 os filhos Clemente, Caetano e Reno passam a trabalhar no estúdio.
Em 1937, Reno Mancuso assume o estúdio, transferindo o mesmo em 1942 para a Avenida Júlio de Castilhos nº 1657, ao lado do Clube Juvenil.
Na década de 1950 Reno passa a trabalhar no setor de fotografia da Ótica Caxiense.

Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami
BR.RS.AHMJSA.AHM · Entidade coletiva · 05 de agosto de 1976 a [atual]

Criado em 05 de agosto de 1976, pelo Decreto Municipal nº 4047, com o objetivo de guarda e gestão da documentação oficial e privada de interesse da história local e regional. Vinculado administrativamente ao Museu Municipal e funcionando em prédio anexo ao mesmo, ambos estavam subordinados à Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Em 1997, pela Lei Municipal nº 4704 , foi denominado Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami em homenagem ao cidadão caxiense que manteve, por muitos anos, o Centro Informativo da História Caxiense, destacando-se como pesquisador e escritor, apesar de trabalhar como barbeiro e alfaiate. Os documentos por ele recolhidos e preservados foram fundamentais para o início da formação do acervo que hoje constitui o patrimônio documental público de Caxias do Sul. Em 1998, pela Lei Municipal nº 5026, o Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami foi desvinculado administrativamente do Museu Municipal, ano em que também foi criada a Secretaria Municipal da Cultura de Caxias do Sul e o Departamento de Memória e Patrimônio Cultural. Essas ações representaram não só um avanço significativo para o próprio Arquivo, mas também para a preservação da memória e do patrimônio, valorizando a cultura da cidade. A instituição destacou-se por sua dinamicidade naquele período inicial, desde a participação na elaboração das primeiras leis de proteção ao patrimônio histórico-cultural, até o desenvolvimento de atividades acima das suas reais possibilidades de orçamento, seja na realização de exposições e publicações, seja na classificação e guarda dos acervos recolhidos ou doados.

Gazola S.A. Indústria Metalúrgica
BR.RS.AHMJSA.AP.GZL · Entidade coletiva · 1932-2012

Durante o ano de 1932, em todo o mundo, surgiam apreensões que desequilibraram as finanças dos países; na Europa, o Fascismo e o Nazismo criavam vulto, enquanto na Rússia crescia a introdução de uma política que combatia tanto a democracia quanto como o que denominavam “burguesia”. No Brasil, havia dois anos que ocorrera a Revolução de 1930, que mudara a situação política, social e financeira do país; as relações entre o Governo Provisório e alguns partidos políticos, principalmente gaúchos, foram tornando-se cada vez mais tensos, culminando na Revolução Constitucionalista, movimento armado ocorrido no estado de São Paulo que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. Então, no auge da campanha, o Governo, sabendo da necessidade de reforçar suas posições e da escassez de elementos materiais e deficiência de munições, recorreu ao estado do Rio Grande do Sul para a fabricação de tudo quanto fosse possível para atingir seus objetivos; o Estado-Maior do Exército no Rio Grande do Sul procurou nos meios locais atender às imediatas necessidades, encontrando diversas dificuldades.
Foi neste cenário que José Gazola, ainda moço e que de longa data se vinha interessando pela metalurgia e correlatos, aproveitou a oportunidade e procurou contato com a chefia militar em Porto Alegre, prontificando-se a tentar o fabrico do material bélico procurado: a primeira granada fuzil, tipo V.B. (Viviam Brezière), desenhada pelos órgãos técnicos do antigo Arsenal de Guerra de Porto Alegre. Já em fins do mês de Julho de 1932, adquiriu algumas máquinas e, com urgência, organizou a firma “José Gazola e Cia.”, da qual faziam parte seus irmãos Antônio e Sílvio. Instalada a firma e montada a fábrica, foram iniciados os trabalhos e, trinta dias após o recebimento do desenho, José Gazola apresentou os primeiros exemplares do novo artefato bélico, com fabrico ainda inédito no Brasil; com êxito em todas as provas e experiências feitas na linha de tiro da Brigada Militar do Estado, José Gazola assinou o primeiro contrato de material bélico com o Governo Federal, para fornecimento às forças armadas brasileiras.
Terminada a Revolução Constitucionalista, os irmãos Gazola, depois de muitos estudos e pesquisas junto a firmas berlinenses, instalaram a primeira fábrica no Brasil de espoletas para caça com a razão social “Gazola, Travi & Cia.”, por ocasião da associação de Marcos Travi. O êxito de suas operações foi grande, tanto que esta foi sondada por industriais paulistas, aos quais foi vendida a pequena mas bem montada fábrica de munições. A firma resolveu, então, após minuciosos estudos, importar equipamentos e instalar a primeira forja de cutelarias na região nordeste do Rio Grande do Sul, que foi a segunda em todo o Brasil. Enquanto José Gazola percorria o país pesquisando matérias-primas e lançando novos produtos, seus irmãos, Sílvio e Antônio, com operários ainda inexperientes, atendiam os serviços internos.
Mesmo com a qualidade de seus produtos e acabamento que consolidaram o nome de sua indústria em todo o território nacional, os irmãos Gazola enfrentaram muitas dificuldades, não apenas pela falta de mão de obra especializada, mas também pelo descrédito a que foi lançada a produção nacional, devido à falta de apoio e incentivo dos poderes públicos; obrigados a reverter os pequenos lucros em novo maquinário, conseguiram aumentar a empresa e também melhorá-la.
Já em 1939, novos acontecimentos, desta vez internacionais, alteraram os planos traçados pela empresa: a Segunda Guerra Mundial, iniciada na Europa, transformou o ambiente comercial e industrial pela suspensão da exportação de matérias-primas daquela origem; somente os Estados Unidos da América atendiam pedidos, originando uma corrida para obtenção de matéria-prima nacional. Começa, então, o período de racionamento e reaproveitamento, obrigando a metalurgia nacional a fabricar novos produtos para garantir sua sobrevivência. Apesar da segurança brasileira em relação à gravidade dos acontecimentos, já entre 1940 e 1942, o país começou a movimentar-se quanto à defesa e armamento, mobilizando a indústria para suprir do que viria a necessitar para a defesa e mobilização das Forças Armadas. José Gazola, ante a situação, reúne os membros da empresa e resolve viajar ao Rio de Janeiro, oferecendo seus serviços aos órgãos técnicos do Ministério da Guerra e da Marinha, que, embasados na experiência anterior de 1932, não tiveram dúvidas em aceitar.
A empresa iniciou, então, a fase de produção de material bélico, utilizando-se de motores a óleo, gasolina e gás pobre, devido à falta de energia elétrica suficiente, tudo sob a fiscalização técnica militar; por decreto (de 10 de Dezembro de 1942), a indústria Gazola foi declarada “de interesse militar”, fornecendo peças e elementos de munição para artilharia e infantaria, espoletas, detonadores, petardos, bujões para bombas de aviação e atuando na recuperação de carregadores para projéteis e outros objetos de guerra e precisão. A responsabilidade deste compromisso foi grande e exigiu o aumento de espaço: em amplo terreno de 30.000 m², devidamente arborizado e adaptado, foi estabelecida a segunda unidade industrial da empresa, destinada exclusivamente à confecção de material de guerra.
Agindo de forma intensa e acelerada, em 22/07/1943, uma violenta explosão, ainda com causa indeterminada, fez voar pelos ares o principal pavimento da nova fábrica, destruindo-o completamente e ocasionando na morte de cinco operárias. Assim, em questão de minutos, desaparecia todo o patrimônio da empresa, pois as instalações não estavam cobertas por seguro. Este desastre abalou profundamente os dirigentes da mesma, mas, estimulados pelas autoridades militares e civis do Estado e da União, o pavilhão foi reconstruído e equipado novamente, reiniciando o ritmo de trabalho que continuou até o término da Segunda Guerra, em 1945.
Em homenagem às vítimas da explosão, foi construído, ainda em 1943, o Marco em Memória às Moças Operárias, junto a um dos pavilhões de munições da empresa. Seu formato lembra um obelisco e possui uma placa de bronze; o marco foi tombado pelo Município de Caxias do Sul e lançado no Livro do Tombo em 30 de junho de 2003.
Em 1945, foi admitido um novo cotista: era José Ariodante Mattana, o que elevou o capital da empresa e, cessada a fabricação de material bélico em larga escala, foi iniciada a de artigos domésticos. Em 1946, recomeçou a fabricação de cutelarias finas, o que permitiu que a empresa entrasse novamente no mercado e buscasse nos Estados Unidos da América novas máquinas e equipamentos para enriquecer seu parque industrial, além do projeto de fabricação de projéteis perfurantes antitanques. Já em 1949, após estudos realizados em terras norte-americanas, as indústrias Gazola fecharam seu primeiro contrato para fornecimento de modelos 37 mm para as forças brasileiras.
Deste mesmo ano até 1952, sua produção aumentou consideravelmente, mas seus escritórios e expedição tornaram-se precários; pensando nisso, a empresa construiu um moderno edifício e transferiu a Direção e os setores de Contabilidade, de Mostruários e Expedição, além de uma loja de vendas a varejo – a “Brazex” – para o mesmo. A construção do “Edifício Brazex”, em linhas modernas, obedeceu ao chamado “estilo funcional”, dotada com equipamento de calefação, o que abriu uma nova era nas edificações de Caxias do Sul. Neste contexto, sua razão social muda novamente, passando a chamar-se “Indústria Metalúrgica Gazola Ltda.”, devido à saída dos quotistas Marcos e Otarino Travi. A direção ficou com José e Sílvio Gazola, José Ariodante Mattana e Ernesto Cecílio Russomanno assumiram como Subdiretores e Ivo Gazola como Chefe dos Escritórios.
O parque industrial da Indústria Metalúrgica Gazola Ltda., expandido e inaugurado em Março de 1966, era composto de duas unidades, onde funcionavam as máquinas operatrizes e gabinetes de desenho, de metrologia, de resistência dos materiais, de aparelhos de controle, de calibragem e cunhagem, além de produção de artefatos bélicos e de precisão, de munição e armas para caça, peças para máquinas automotoras e de usinagem, peças de precisão para automóveis e caminhões, engrenagens para caixas de câmbio e transmissão. As linhas “Elmo”, “Elmo Cutelaria”, “Elmo Inox”, “Elo”, “Gazola” e “Vulcano Munições” eram marcas registradas da empresa, que tinha, ainda, representantes e caixeiros viajantes em 18 estados brasileiros, além de uma unidade em Nova Iorque (EUA).
Em 1967, a empresa tornou-se sociedade anônima e, em 1971, realizou a abertura de seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo. Em Março de 1974, foi inaugurada a nova fábrica de tesouras, com ampla divulgação na imprensa.
A partir de 1990, a companhia expandiu seu portfólio de produtos com o início da produção de panelas de aço inoxidável. Em 1999, ingressou no mercado de componentes e acessórios para implementos rodoviários.
Combalida por dificuldades financeiras, a empresa teve sua falência decretada em agosto de 2009. Um mês mais tarde, devido a recurso provido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, foi possibilitada a retomada de suas atividades – fato que só ocorreu em meados de Dezembro do mesmo ano. Desestruturada pelo período em que permaneceu fechada, a companhia não logrou sucesso em sua tentativa de recuperação e teve suas operações fabris encerradas em meados de 2010.
O registro de companhia aberta foi suspenso pela Comissão de Valores Mobiliários pela primeira vez em 16/04/2010, em virtude da não publicação de demonstrativos financeiros desde o exercício de 2008. Em maio de 2012, o registro foi definitivamente cancelado pela autarquia. Em 2013, parte do acervo da companhia foi adquirido por dois empresários e itens históricos de propriedade da empresa, tombados pelo município, começaram a ser catalogados com o objetivo de integrar um museu.
Em novembro de 2013, por ocasião da conclusão de processo sancionador conduzido pela Comissão de Valores Mobiliários, os administradores da empresa receberam condenações, na forma de multas e inabilitações de exercício de função em companhias abertas, sob a alegação de abuso de poder de controle.

Unidade Banco de Memória Oral
BR RS AHMJSA BMO · Entidade coletiva · 1980

A Unidade Banco de Memória Oral iniciou suas atividade em 1980 e está em constante ampliação de seu corpus documental com o registro da memória de diferentes sujeitos e comunidades por meio de entrevistas semidirigidas.

A História Oral é a metodologia de pesquisa e registro de fontes voltadas ao estudo da História, da Antropologia e das Ciências Sociais. Consiste na realização e transcrição de entrevistas com pessoas que testemunharam os acontecimentos de seu tempo ou guardam na memória narrativas herdadas de outras gerações: pais, avós ou pessoas mais velhas.
O Banco de Memória do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami tem como primeira entrevista a história de vida da senhora Aurora Pezzi Ungaretti (1893-1997), em que as lembranças se entrelaçam à história dos primeiros imigrantes italianos e à formação da fisionomia urbana de Caxias do Sul. Mantendo a continuidade do trabalho, o setor conta com mais de mil entrevistas realizadas.

As entrevistas versam sobre diferentes temas: histórias de vida, política, educação, cultura, arte, associativismo, industrialização, sindicalismo, religião, esporte, entre outros. Os relatos também retratam a vida cotidiana, revelando valores, costumes, hábitos e a trama das relações sociais e familiares. A faixa etária dos entrevistados, oriundos de diversos segmentos sociais, se estende dos 20 aos l06 anos, o que é representativo para uma cidade que recebeu seus primeiros colonizadores em 1875. A lembrança de um passado tão recente permite a recomposição do cotidiano rural e urbano de nossa cidade.

Por trabalhar com “arquivos vivos”, o Banco de Memória oportuniza fontes históricas que, no seu conjunto, transcendem a memória individual integrando-se à memória coletiva. As narrativas complementam-se mutuamente, contribuindo para a construção de uma História Pública. Nesse sentido, a História Oral tem a sensibilidade de ouvir e reconhecer a riqueza do testemunho e, assim, pode dialogar com a historiografia oficial, com os documentos escritos; escutar a voz de diferentes sujeitos históricos para fazer a história de todos.

Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda.
BR.RS.AHMJSA.AP.VRG · Entidade coletiva · 1929-1997

A década de 1920 foi caracterizada por grande desunião no seio do setor vitivinícola gaúcho, com brigas intermináveis e desentendimentos crônicos entre as principais lideranças, além da concorrência desleal e suicida entre as vinícolas. Altas e descontroladas produções associadas às práticas de diminuição dos preços iniciaram a grande crise. As autoridades gaúchas, preocupadas, promoveram reuniões, discussões e induziram 49 vinícolas a se unirem em torno de uma instituição comum, o Syndicato Viti-Vinícola do Rio Grande do Sul, consolidado no final de 1928. Era a tentativa de unir a vitivinicultura gaúcha. O governo estadual, através de decreto, criou o primeiro instrumento legal para fortalecer o Syndicato e atrair o setor em torno dele, impondo a obrigatoriedade de exames bromatológicos dos vinhos a serem comercializados, expediente pago e somente realizado através desta instituição. Esse dispositivo legal lhe deu força de órgão estatal e passou a privilegiar com custo zero seus associados aderentes, em detrimento daqueles muitos que optaram por ficar de fora e que teriam que pagar a cada exame solicitado. Com isso, a desunião e os embates cresceram ainda mais dentro do setor. Devido à tal situação e artimanhas oficiais, além do medo de serem engolidos pela séria crise que se espalhava pela Serra Gaúcha, alguns empreendedores setoriais e líderes políticos incumbiram o contador José Moraes Vellinho de buscar melhorias e constituir uma sociedade comercial a partir da união dos empresários. Após muitas negociações, foi formada a Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda, em 5 de junho de 1929, dando início às suas atividades com o intuito de ajustar interesses historicamente antagônicos, construir novos padrões de qualidade para o vinho e ter o encargo de receber, homogeneizar e comercializar a produção de seus fundadores e associados, garantindo a aglutinação dos negociantes de vinho da região, o que permitiria a imposição dos interesses do Governo Estadual para “sanar o setor”. A Sociedade Vinícola Rio Grandense foi um braço importante na atuação comercial do Syndicato, que o eximia de atuar diretamente nas desgastantes brigas comerciais. Não seria tarefa simples, já que envolvia um trabalho insano e que exigiria grande habilidade de negociação para alcançar o milagre de aproximar posições historicamente antagônicas, ajustar interesses conflitantes e curar feridas profundas de rixas anteriores. Apesar disso, sua atuação não pacificou o setor, pois desentendimentos e embates tornaram-se acirrados, o que criou dois blocos distintos na vitivinicultura gaúcha: Sociedade Vinícola de um lado, vinícolas independentes do outro que, aos poucos, foram se associando em grupos, dando origem às Cooperativas Vinícolas. A Sociedade Vinícola Rio Grandense continuava a ser o braço operacional do governo gaúcho na regulamentação do mercado em 1930, sendo iniciada a fase de consolidação da empresa, que passou a comprar uvas dos produtores e coordenar a vinificação nas cantinas dos associados, assim dando dimensão maior ao negócio e um novo ritmo de atuação no setor.

Em 1932, a Sociedade Vinícola Rio Grandense, seguindo a linha de inovações, efetuou uma importação de cerca de 130 variedades europeias (italianas e francesas) e iniciou a formação dos famosos vinhedos conhecidos por Granja União, no município de Flores da Cunha, com o objetivo de dar os primeiros passos na direção de produzir vinhos varietais finos (uvas viníferas), tudo sob a inspeção de seu diretor técnico, o enólogo Guido D’Andrea. Em 1935, a Sociedade engarrafou e comercializou a primeira produção de vinhos varietais finos, sob o rótulo Granja União, que fizeram sucesso em todo País. A área de vinhedos de castas finas viníferas da Granja União totalizava 150 hectares. As garrafas dos vinhos Granja União, Barbera, Cabernet, etc, inauguraram um período de reinado desses varietais no mercado brasileiro que viria a perdurar nas décadas seguintes. Para dar suporte a suas atividades, a Sociedade Vinícola expandiu sua estrutura de comercialização em nível nacional, abrindo filiais em Salvador (1936), Farroupilha, (1939), Rio de Janeiro (1941), Rio Grande (1942) e São Paulo (1945), completando com Curitiba e Recife, e a abertura de um entreposto em Belo Horizonte, todos na década de 1950. Os grandes volumes de vinho de mesa eram transportados a granel, saindo das adegas da Sociedade Vinícola em caminhões-pipa com destino a Porto Alegre, visando completar a capacidade dos tanques de navios fretados que abasteceriam outros estados, nos entrepostos da Sociedade. A empresa tinha, ainda, a sua própria tanoaria.

Na década de 1940, a Sociedade Vinícola Rio Grandense viu o mercado de vinhos finos diminuir, em virtude da Segunda Guerra Mundial. Como detinha boa reserva de capital, decidiu investir em outro mercado: o de papel e celulose. Para um estudo de viabilização, os diretores da Sociedade Vínicola, Galeazzo Paganelli e José Moraes Vellinho, resolveram enviar um emissário em busca de pinheiros nos estados do Paraná e de Santa Catarina. Essa tarefa foi atribuída a Alfredo Fedrizzi, homem de confiança que durante onze anos provara sua dedicação e sua habilidade na empresa. A construção do primeiro prédio da Celulose Irani iniciou em 1942, ano em que a olaria já estava em funcionamento, que, além dos tijolos, fornecia telhas para a construção da fábrica. Em 1942, foram instalados os primeiros equipamentos industriais: um britador com acionamento hidráulico, as primeiras caldeiras “J. Martins” e a primeira máquina a vapor para geração de energia.

Em Caí, operava uma fábrica de garrafas com alta capacidade de produção anual, empregadas nas suas diversas linhas de engarrafamento. Considerando os grandes volumes transportados a granel, embarrilado e garrafas encaixotadas, ela ofereceu rápido retorno de capital: a multinacional italiana Martini & Rossi, instalou duas unidades produtoras de vermute no Brasil, em 1951, uma em São Paulo e outra em Recife, e firmou um acordo de compra de grandes volumes de vinho base com a Sociedade Vinícola; acordo similar foi assinado com a Cinzano. Com esses acordos, houve grande incremento na demanda que passou a exigir grandes quantidades de embarques de vinho base da variedade americana Herbemont, esbarrando com crescentes dificuldades com a navegação de cabotagem, cuja frota de navios-tanques era insuficiente, impactando nos prazos de comercialização. Considerando os grandes volumes transportados e as possibilidades de transformar o mesmo nas modalidades a granel, embarrilado e encaixotado, a empresa adquiriu um navio para carga seca para transporte de vinhos em barris e em garrafas encaixotadas: batizado de “Vinho Castelo” (homônimo ao carro-chefe dos produtos da empresa: o vinho comum de nome “Vinho Castelo”, foi líder absoluto em vendas dentre todos produzidos durante o período de 1946 e 1955). O famoso navio “Vinho Castelo” passou a transportar grandes quantidades de barris e caixas de vinho, proporcionando o total domínio do transporte do vinho para os grandes centros consumidores. Foi o início da fase sob a denominação social de Indústria, Comércio e Navegação – Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda., trabalhando no setor vitícola, de características agrícolas, com contratos de compra e venda de uva com pequenos e grandes agricultores, pelos quais a indústria se obrigava a fornecer insumos, equipamentos e assistência técnica, e os preços variavam de acordo com a safra, com a qualidade e com os fatores mercadológicos mais voláteis.

Apesar da necessidade de grande número de barris, os custos operacionais caíram, criando maior competitividade para os vinhos da Sociedade Vinícola. O navio “Vinho Castelo” era utilizado com grande versatilidade, ora transportando vinho em pipas para Santos, Rio de Janeiro e Nordeste, ora levando madeira para a Argentina, de onde voltava carregado de trigo. Em 1957, numa das viagens do navio Vinho Castelo para a Argentina, ele se chocou contra rochedos e foi a pique na costa uruguaia, causando grande prejuízo e perda total. A partir deste acidente, a Sociedade Vinícola se associou às cooperativas Garibaldi, Aurora e Forqueta, fundando a empresa de navegação Navinsul, com um navio-tanque próprio para abastecer o porto de Santos. Os demais destinos ficaram com a navegação de cabotagem. As três cooperativas unidas em uma federação montaram também uma central de engarrafamento em Santos, comercializando o rótulo comum Centauro. Neste período, acontecia a chegada das primeiras empresas multinacionais interessadas na exploração do setor vitivinícola e do mercado no Brasil. A Bernard Tailland Importadora S/A, associada a vinícolas na Argélia e na França, resolveu lançar vinho de sua marca no mercado brasileiro e, depois de muitas consultas (a Sociedade não aceitou o esquema proposto), fechou contrato com a Cooperativa Vinícola Aurora que, a partir de 1962, passou a produzir o vinho rotulado Bernard Tailland, com grande sucesso comercial. Este fato desencadeou outras iniciativas de encomendar vinhos finos às vinícolas nacionais e proceder à comercialização através de redes próprias. O rótulo Bernard Tailland marcou o início do processo de afirmação e aceitação de vinhos finos brasileiros no mercado nacional, e foi uma oportunidade perdida pela Sociedade Vinícola Rio Grandense, por uma decisão equivocada. Talvez esse tenha sido um dos mais graves erros de avaliação, contrariando, inclusive, a postura sempre vanguardista da Sociedade, que começou a sofrer perda de ritmo e da saúde empresarial, sofrendo um divórcio de sincronismo com o movimento de modernização do setor vitivinícola brasileiro.

Este novo nicho de negócios era diferente daqueles volumosos fornecimentos de vinhos base baratos para alimentar a produção de vermute e quinados da Martini & Rossi ou da Cinzano. Agora estavam em jogo vinhos finos, varietais de uvas viníferas ou europeias, com maior valor agregado e de colocação crescente num mercado recém-despertado para a qualidade possível do vinho brasileiro. Ao longo de 1964, o desenvolvimento acelerado da rede rodoviária centro-sul produziu reflexos importantes na política de transporte de cargas para o Nordeste, especialmente pela maior flexibilidade do transporte por caminhões, economicamente mais atrativo, de gerenciamento muito mais simples e de custos bem mais baixos, colocando em cheque a solução Navinsul, com toda sua complexidade operacional e custos altos de manutenção de um navio. Foi, então, que os sócios resolveram desativar o esquema de cabotagem e vender o navio. Em 30 de setembro de 1964, a Indústria, Comércio e Navegação – Sociedade Vinícola Rio Grandense Ltda. teve alterada sua razão social de Ltda. para S.A., assumindo a nova e definitiva denominação de Companhia Vinícola Rio Grandense. Seu funcionamento foi encerrado em 1997.

Em 1999, os irmãos Deunir e Itacir Argenta, adquiriram o Vinhedo Granja União, em Flores da Cunha – RS, e desenvolveram um moderno projeto para produção de uvas e vinhos que, em homenagem ao patriarca, foi denominado “Luiz Argenta Vinhos Finos”. Volmar Salvador e PauloTonet adquiriram o vinhedo San Felício e fundaram a Vinícola Terrasul, na cidade de Pinheiro Machado – RS, entre as regiões da Campanha e da Serra do Sudeste. Depois, adquiriram um prédio, também da Companhia Vinícola Rio Grandense, em Flores da Cunha, e ali instalaram a cantina, na qual trabalham a produção de vinhos finos e de vinhos de mesa.

Conselho Municipal
BR RS APMCS C · Entidade coletiva · 1892-1930